O.Médio descarta grandes mudanças com eleição nos EUA

Cairo, 2 nov (EFE).- O Oriente Médio não espera que a eleição presidencial dos Estados Unidos represente uma grande mudança para uma região que, segundo analistas políticos, continuará sendo uma das maiores dores de cabeça para a Casa Branca.

EFE |

"Será difícil qualquer presidente dos Estados Unidos - republicano ou democrata - aplicar grandes mudanças à política americana para o Oriente Médio em favor de uma solução justa, duradoura e integral", disse à Agência Efe Khalil Anani, do Centro "Al-Ahram" para Estudos Políticos e Estratégicos, com sede no Cairo.

Irã e Iraque parecem ter se transformado nos principais focos de atenção das propostas presidenciais americanas sobre o Oriente Médio, o que deixou em segundo plano temas históricos que seguem latentes na região, como o atrito entre palestinos e israelenses.

"Não espero que o novo presidente se atreva a aplicar maior pressão a Israel para que abandone os territórios ocupados no conflito de 1967", acrescentou Anani.

A ríspida relação de Washington com Teerã não parece que vá sofrer grandes mudanças se o novo ocupante da Casa Branca for o democrata Barack Obama ou o republicano John McCain, ou pelo menos assim acredita o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad.

"Nossa postura com relação aos EUA é permanente, e se baseia em manter relações de acordo com o respeito mútuo e a justiça", alegou Ahmadinejad recentemente, em Teerã.

Os dois candidatos presidenciais americanos temem que o Irã possa se munir de armamento nuclear, mas mantêm diferentes critérios para enfrentar o problema, diz o renomado professor egípcio Emad Gad.

McCain deixou claro que não deve existir um diálogo direto com Teerã, baseando-se nas posições de Ahmadinejad sobre Israel, mas Obama não quer deixar fechada essa porta.

As diferenças entre os dois aspirantes são mais claras no tema do Iraque, assunto de política externa que mais ocupou os dois candidatos, especialmente pela necessidade de manter no país asiático mais de 100 mil soldados americanos sustentados pelo Governo de Bagdá, e que impedem que o país caia em um autêntico caos.

"A única mudança que pode ser antecipada (no Oriente Médio sobre as eleições americanas) será a fixação de um calendário para a retirada das tropas americanas do Iraque, caso ganhem os democratas", avalia o colunista Akram al-Kassas, da revista árabe "Al Arabi".

O momento das eleições presidenciais coincide com os últimos passos para se chegar a um acordo entre Iraque e EUA que fixa o marco legal para a retirada ou renovação da permanência das tropas americanas do país asiático.

Os analistas da região coincidem em afirmar que, embora haja urgência em definir o tema do Iraque, outros problemas do Oriente Médio como a conflituosa relação entre árabes e israelenses terão de esperar.

"As mudanças na política (para o Oriente Médio) serão muito limitadas e muito lentas, porque o novo presidente americano necessitará de tempo", declara Kassas. "Não espero grandes mudanças, pelo menos em dois anos", concluiu. EFE nq-ag/jp

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG