OMC tem poucas semanas para salvar Rodada de Doha, diz Amorim

Rio de Janeiro, 2 set (EFE).- O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou hoje que os países da Organização Mundial do Comércio (OMC) têm entre duas e três semanas para tentar salvar a Rodada de Doha e evitar que as negociações fiquem estagnadas por vários anos.

EFE |

Em declarações no Rio de Janeiro, Amorim afirmou que o Brasil conversou com vários países importantes nas negociações e com o diretor-geral da OMC, Pascal Lamy, para tentar marcar um encontro no final deste mês a fim de superar os problemas que fizeram fracassar uma reunião da Rodada de Doha em Genebra, em julho.

O chanceler afirmou que, se as negociações não forem concluídas antes de outubro, quando a atenção do mundo se voltará para outros assuntos, como as eleições americanas, a OMC precisará esperar dois ou três anos para dar prosseguimento às negociações.

"Estamos tentando (flutuar as negociações). Temos três ou quatro semanas porque, passado esse prazo, ou seja, passado o final de setembro e entrando em outubro, acho que as atenções estarão em outros lugares e teremos que esperar até mais tarde", afirmou.

Segundo Amorim, "isso não quer dizer que a rodada vai morrer, ao contrário do que muitas pessoas dizem, mas será ressuscitada em outra realidade política e será mais difícil", acrescentou.

"Naturalmente, não tenho bola de cristal para adivinhar, mas acho que, se não fecharmos agora, levaremos dois ou três anos pelo menos para fazer isso", afirmou.

Segundo chanceler, além das eleições nos Estados Unidos em novembro, outros fatores políticos, como o pleito na Índia em maio, desviarão a atenção mundial nos próximos meses e dificultarão as negociações multilaterais.

"As eleições nos EUA são um fator importantíssimo, mas não o único. Hoje em dia, não conta apenas os EUA, mas a situação em muitos países que têm peso nas negociações", disse o chanceler.

Amorim explicou que "o problema é que quando se interrompe uma negociação por muito tempo, todas as partes começam a repensar os detalhes e interesses defensivos".

O ministro reconheceu que ainda não existe uma data definida para uma nova reunião em Genebra de ministros ou de autoridades de primeiro escalão que possam retomar as negociações e acrescentou que o Brasil está trabalhando para promover esse encontro.

"A possibilidade de retomar as negociações agora é pequena. Não somos ingênuos de pensar que isso será conseguido com facilidade, mas o que pode ser perdido é tanto e o que há para ser resolvido é tão pouco que pelo menos há consciência que esse esforço é possível e necessário", disse.

Sobre as ressalvas dos países em desenvolvimento, que provocaram divergências entre Índia e EUA em Genebra e levaram a última reunião ao fracasso, Amorim afirmou que isso é um assunto que pode ser discutido e a que ninguém se opõe de antemão.

"O que não foi resolvido foi como e quando aplicar essas salvaguardas, e em que medida a extensão do remédio que pode ser adotada. Ninguém é contra as salvaguardas, inclusive o Brasil tem setores sensíveis na agricultura familiar, o problema é a extensão que elas terão", manifestou.

Em um pronunciamento feito hoje em um seminário sobre política externa, Amorim também disse que o Brasil se esforçará mais nas negociações na OMC por considerar esse organismo o único capaz de resolver o problema dos subsídios, que considerou a maior ameaça ao comércio mundial.

Segundo o chanceler, o Brasil, como membro do Mercosul, pode promover negociações comerciais com a União Européia (UE) e com outros países e blocos, mas em nenhuma dessas instâncias será possível resolver o problema dos subsídios. EFE cm/wr/rr

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