OLP aprova negociações indiretas na véspera da visita de enviado dos EUA

Elías L. Benarroch.

EFE |

Jerusalém, 7 mar (EFE).- A Organização para a Libertação da Palestina (OLP) aceitou hoje formalmente iniciar negociações de paz indiretas com Israel, um dia antes da visita do enviado americano para o Oriente Médio, George Mitchell.

"O comitê executivo da OLP decidiu aceitar as negociações indiretas", disse à Agência Efe o chefe do escritório de negociações da OLP, Saeb Erekat.

Segundo Erekat, vários membros da OLP "apresentaram sua oposição e suas reservas" ao reinício do diálogo, que será mediado pelos Estados Unidos.

De acordo com o negociador palestino, "o processo de paz não pode durar eternamente. Agora é o momento de tomar decisões".

Os negociadores e dirigentes palestinos se reunirão nesta segunda-feira com Mitchell, que está no Oriente Médio desde ontem, para "determinar como se desenvolve" o diálogo.

A rádio "Voz da Palestina" informou que Erekat será o interlocutor palestino nas negociações. Pelo lado israelense estará Isaac Molho, advogado e homem de confiança do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu.

Contactado pela Efe, Erekat não soube dizer quando começarão os contatos e falou apenas que a decisão está pendente do encontro com o enviado americano.

Segundo fontes do comitê executivo da OLP, quando os contatos começarem, Mitchell deve transitar entre Ramala e Jerusalém com as propostas. Não se descarta que alguma rodada do diálogo ocorra também em Washington.

A realização de negociações indiretas foi apoiada na quarta-feira pelo Comitê da Iniciativa Árabe - a oferta de paz proposta a Israel pela Liga Árabe em 2002 e 2007 -, cujos membros deram a Abbas um prazo de quatro meses.

Esta fórmula proposta por Washington dará fim a 14 meses de interrupção nas negociações de paz que israelenses e palestinos começaram na Conferência de Annapolis (EUA) no final de 2007, processo que se viu prejudicado pela ofensiva militar israelense na Faixa de Gaza entre dezembro de 2008 e janeiro de 2009.

Abbas condicionava qualquer retorno ao diálogo com Israel à total interrupção da construção de assentamentos judaicos em qualquer parte do território palestino ocupado, incluindo Jerusalém Oriental.

Erekat explicou que essa condição continua de pé e se refere a "negociações bilaterais".

"Mitchell vai continuar fazendo o que fez no último ano", disse o palestino sobre o papel do mediador que o presidente americano, Barack Obama, designou quando assumiu o cargo, no ano passado.

Estas negociações também estão condicionadas, segundo o assessor presidencial palestino Yasser Abed Rabbo, a um princípio de acordo sobre as fronteiras do futuro Estado palestino ao final deste prazo de quatro meses.

Em princípio, o assunto é dos menos difíceis de resolver de todo o conflito, no qual também figuram problemas como a partilha de Jerusalém, os refugiados palestinos, a evacuação dos assentamentos judeus e a repartição das reservas de água.

Quando a decisão do comitê executivo da OLP foi divulgada, Mitchell estava em Jerusalém com Netanyahu, o qual voltará a encontrar amanhã antes de seguir para Ramala.

Na quarta-feira passada, o primeiro-ministro israelense deu as boas-vindas às negociações indiretas, mas tanto a OLP como a Liga Árabe expressaram seu ceticismo quanto a suas intenções de chegar a um acordo dado o perfil de seu Governo, formado por forças direitistas e religiosas com o apoio de uma parte do Partido Trabalhista.

"A liderança palestina decidiu dar uma oportunidade à proposta americana de tentar chegar a um acordo por meio de negociações indiretas", declarou Abed Rabbo em entrevista coletiva.

Mitchell deixa a região ao terminar sua agenda em Ramala para dar lugar ao vice-presidente dos EUA, Joe Biden, esperado na região amanhã.

O objetivo da Casa Branca é anunciar o retorno ao diálogo entre israelenses e palestinos durante a estadia do enviado da Casa Branca para que a visita de Biden possa estar centrada nas relações bilaterais, segundo a imprensa local. EFE elb/bba

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