Olmert surpreende Israel e anuncia saída em setembro

Por Allyn Fisher-Ilan e Adam Entous JERUSALÉM (Reuters) - O primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, surpreendeu o mundo político ao anunciar na quarta-feira que vai deixar o cargo depois que o seu partido Kadima escolher um novo líder, em setembro.

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Olmert vinha sendo acusado de corrupção, e sua saída pode provocar eleições antecipadas, nas quais o líder direitista Benjamin Netanyahu aparece como favorito.

'Decidi que não vou disputar as primárias do movimento Kadima, nem pretendo intervir nas eleições', disse Olmert na sua residência oficial, em Jerusalém. 'Quando um novo presidente (do partido) for escolhido, vou renunciar como primeiro-ministro para permitir que eles formem um novo governo de forma rápida e eficaz.'

Mas para isso será preciso que seu sucessor monte uma nova coalizão, de modo que Olmert permaneça interinamente durante meses. Enquanto isso acontecer, o premiê prometeu se dedicar ao processo de paz com os palestinos.

O negociador palestino, Saeb Erekat, disse que o processo continua mesmo com a saída de Olmert, e a Casa Branca reiterou sua intenção de concluí-lo ainda neste ano. O fato, porém, é que Olmert não terá força política para negociar com os palestinos ou com os sírios enquanto permanecer no cargo.

A imprensa israelense disse que Olmert informou antecipadamente a decisão ao governo dos EUA, levando em conta as repercussões da sua saída sobre o já combalido processo de paz.

O premiê continua negando qualquer irregularidade nas suas contas eleitorais e diz que vai provar sua inocência no inquérito que corre em Israel. Ele é suspeito de receber dinheiro ilegal de um empresário norte-americano e de cobrar duas vezes despesas de viagens.

Limor Livnat, parlamentar do partido direitista Likud, disse que o Parlamento deveria se dissolver e antecipar as eleições previstas para 2010. Já o ministro da Defesa, Ehud Barak, que pertence ao Partido Trabalhista, maior parceiro do Kadima no governo, afirmou que 'ainda não está claro se haverá uma eleição dentro de três ou quatro meses'.

A chanceler Tzipi Livni é favorita para vencer a disputa interna do Kadima em 17 de setembro. Shaul Mofaz, ministro dos Transportes e ex-titular da Defesa, vem logo atrás.

Em Washington, onde participa de reuniões trilaterais com os EUA e os palestinos, Livni disse que Olmert tomou 'a decisão correta, embora não fosse fácil'.

Nesta semana, num comício do partido, a ministra, de 50 anos, disse que o Kadima havia perdido o rumo que norteou sua fundação, em 2005.

Pelo sistema israelense, Netanyahu pode tentar formar uma aliança que deixe o Kadima em minoria no Parlamento e obrigue à antecipação das eleições.

Mas alguns analistas acham que o anúncio pode ser uma manobra de Olmert para permanecer no poder apesar das suspeitas. 'Olhando para o histórico de Olmert, é um movimento estratégico', disse Gerald Steinberg, professor da Universidade Bar Ilan.

De acordo com ele, se um novo líder do Kadima não conseguir montar uma coalizão, 'ele será chamado de volta e vai se tornar primeiro-ministro em exercício até que haja eleições'.

(Reportagem adicional de Alistair Lyon, em Jerusalém, Mohammed Assadi, em Ramalllah, Dan Williams, em Washington, e Wafa Amr, em Amman)

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