JERUSALÉM - O primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, rejeitou hoje a resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas para um cessar-fogo com o Hamas e disse que a ofensiva na Faixa de Gaza continuará até que o Exército complete sua missão.

"Israel nunca esteve de acordo em que terceiros determinem seu direito de defender sua cidadania", afirma Olmert, em comunicado, horas depois da chamada das Nações Unidas para o fim do conflito em Gaza.

O primeiro-ministro acrescenta que "o Exército continuará sua operação para defender a população de Israel até que complete as missões".

AFP
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Com a única abstenção dos Estados Unidos, o Conselho de Segurança adotou uma resolução que pede a declaração de um cessar-fogo imediato em Gaza, a retirada das tropas israelenses e a entrada sem impedimentos de ajuda humanitária ao território palestino.

Mas, segundo Olmert, os mais de 20 foguetes que caíram hoje em Israel "mostram que a resolução não é prática, e não será respeitada pelas organizações palestinas assassinas".

Hamas também diz "não"

O Hamas também não aceitou o documento, elaborado pelo Reino Unido em colaboração com a França e os países árabes, embora o veja como prova do fracasso da ofensiva militar israelense em Gaza.

"Este fracasso é o que gerou a resolução", disse, em Beirute, o dirigente Osama Hamdan, em declarações à imprensa local.

Para Hamdan, a resolução do Conselho de Segurança "não leva em conta o interesse palestino e não fala nem da suspensão do bloqueio nem da abertura das passagens fronteiriças" em Gaza.

A atual escalada de violência na região entra hoje no 14º dia sem que a diplomacia internacional tenha conseguido uma solução que convença as partes a deixar as armas.

Segundo o correspondente do iG em Israel, Nahum Sirotsky , o cessar-fogo em Gaza ainda está distante.

Novo cessar-fogo humanitário

Israel e o Hamas interromperam novamente nesta sexta-feira as operações militares na Faixa de Gaza obedecendo a determinação de respeitar as três horas diárias de cessar-fogo por razões huminitárias.

A trégua já havia acontecido na quarta e quinta-feira na região para permitir que a população se reorganize. 

As estimativas são de que, em quase duas semanas, o conflito tenha matado 770 palestinos e 14 israelenses.

AFP
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Diálogo

O jornal britânico 'The Guardian" publicou nesta sexta-feira que o próximo presidente dos EUA, Barack Obama, estaria disposto a dialogar com o Hamas.

O diário diz ter ouvido três integrantes da equipe de Obama cientes de discussões visando a abertura de um canal de negociação com a organização islâmica.

"Não se fala em Obama aprovar negociações diplomáticas diretas com o Hamas cedo, mas ele está recebendo recomendações de assessores para iniciar aproximações em nível de baixo escalão ou clandestinas", disse o jornal.

14º dia de bombardeios

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