Olmert quer que diálogo com Síria não prejudique conversa com palestinos

Daniela Brik Jerusalém, 22 mai (EFE) - O primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, afirmou hoje que tentará realizar de forma simultânea as negociações de paz com sírios e palestinos sem que ambos os processos entrem em choque entre si. Um dia após ser anunciado que seu país empreenderá com Damasco um diálogo político, Olmert disse que Israel pretende manter conversas de paz paralelas com a Autoridade Nacional palestina (ANP) e Síria sem que um canal de diálogo prejudique o outro. Israel e Síria anunciaram na quarta-feira que empreenderão negociações de paz indiretas com a mediação da Turquia, depois que a última rodada de contatos para conseguir um acordo foi suspensa em 2000. Os sírios sabem o que queremos e nós sabemos o que eles querem, afirmou hoje Olmert sobre este novo canal de diálogo, o qual quarta à noite qualificou de dever nacional. O titular de Defesa israelense, Ehud Barak, que foi o último primeiro-ministro que negociou com Damasco, indicou que o país vizinho sabe que as concessões são uma via de dois sentidos. Tirar a Síria do eixo do mal é um objetivo primordial para Israel.

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Ele se referia à mencionada posição de Israel que exige que o presidente sírio, Bashar al-Assad, rompa a aliança que mantém com o Irã e com a milícia xiita Hisbolá, e deixe de acolher dirigentes de organizações terroristas palestinas em Damasco.

A ministra de Assuntos Exteriores israelense, Tzipi Livni, coincidia nesta linha, ao afirmar que o processo de paz depende de que a Síria deixe de apoiar o terrorismo.

"Israel deseja viver em paz com seus vizinhos, mas a Síria deve entender que é necessária uma completa renúncia ao apoio do terrorismo do Hisbolá, Hamas e certamente do Irã", ressaltou a ministra.

Segundo uma pesquisa divulgada hoje, cerca de dois terços dos israelenses se opõem a que as Colinas do Golã, ocupadas pelo Estado judeu na Guerra dos Seis Dias de 1967, sejam devolvidas à Síria, questão que, junto à delimitação de fronteiras entre os dois países, representam o eixo central das negociações.

Cerca de 18 mil colonos judeus moram no Golã, junto a um número similar de população autóctone drusa, e o desmantelamento de seus assentamentos como conseqüência de um acordo de paz sírio-israelense levaria entre uma década e 15 anos, indica o colunista israelense Akiva Eldad, do jornal "Ha'aretz".

A retomada das conversas entre os dois países, que segundo a imprensa local poderia ter início em 15 dias, é interpretada por analistas palestinos como uma "mensagem de Israel a Hamas, Hisbolá e Irã de que as alianças regionais podem mudar".

Na opinião de jornalistas e políticos palestinos em Ramala, a Síria escolheu o momento para anunciar que empreende o diálogo com Israel depois que, em Doha (Catar), foi acordada a formação de um Governo de união nacional e a eleição do novo presidente no Líbano, país controlado há anos pelo regime de Damasco.

O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, destacou na quarta-feira que espera que Israel e Síria cheguem a uma "solução pacífica".

E apesar de o canal sírio ser o mais destacado, Olmert ressaltou hoje que esse objetivo não interfere em sua intenção de alcançar um acordo de paz com os palestinos antes do fim do ano.

O chefe do Governo em Israel acrescentou que as conversas mantidas entre as equipes de seu país e da ANP, lideradas pela ministra de Exteriores israelense, Tzipi Livni, e pelo ex-primeiro-ministro palestino Ahmed Qorei, são "sérias e importantes".

Olmert e Abbas retomaram após a Conferência de Annapolis (Estados Unidos) em novembro o processo de paz com o objetivo de conseguir um acordo que ponha um fim ao conflito entre seus dois povos.

Além disso, desejam que termine com a fundação de um Estado palestino, um projeto que Israel quer desatrelar de seus contatos com a Síria para evitar que o eventual bloqueio em um dos dois canais abertos afete o outro. EFE db/db

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