Olmert propõe indenizações para colonos judeus na Cisjordânia

Por Jeffrey Heller JERUSALÉM (Reuters) - O primeiro-ministro israelense Ehud Olmert disse no domingo que é hora de considerar uma compensação em dinheiro a colonos judeus que se oferecerem voluntariamente para deixar partes da Cisjordânia que Israel entregaria em um acordo para a criação do Estado palestino.

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Olmert disse no início da reunião semanal do gabinete israelense que um plano de 'compensação e desocupação' seria discutido pela primeira vez. Mas a discussão teria sido adiada depois de ministros terem se envolvido na discussão de uma questão separada.

'Com negociações sérias (com os palestinos) em curso que evidentemente podem, em algum momento, levar a decisões, incluindo a retirada de residentes de suas moradias, devemos começar a estudar o que isso implica', disse Olmert ao gabinete.

A expectativa é que ainda hoje a polícia anuncie se vai recomendar o indiciamento de Olmert por acusações de corrupção.

A medida vai coroar meses de investigações, mas não terá impacto imediato sobre sua permanência no governo.

O problemático governo de Olmert já se aproxima de seu fim.

Olmert afirmou que vai renunciar depois de seu partido, o centrista Kadima, eleger um novo líder, em 17 de setembro, mas ele pode continuar no poder por semanas ou meses depois disso, até ser formado um novo governo.

O plano de compensação promovido pelo vice de Olmert, Haim Ramon, prevê o pagamento de indenização a colonos que, antes de ser implementado qualquer acordo de paz com os palestinos, concordem em deixar os assentamentos situados do outro lado da barreira que Israel está erguendo na Cisjordânia ocupada.

Eles seriam assentados em outras partes do território, em enclaves que o governo israelense disse que pretende conservar em qualquer acordo de paz final, ou em Israel.

Cerca de 70 mil colonos vivem a leste da barreira, um projeto que Israel diz ser necessário para sua segurança e que os palestinos descrevem como grilagem de terras.

DATA ALVO

Olmert e o presidente palestino Mahmoud Abbas prometeram continuar os esforços para fechar um acordo de paz antes da saída do poder do presidente George W. Bush, em janeiro.

Mas Abbas disse na sexta-feira que duvida que um acordo pleno de paz com Israel possa ser alcançado ainda este ano.

A questão da expansão dos assentamentos na Cisjordânia vem dificultando as negociações de paz mediadas pelos EUA.

No projeto mais recente, o governo israelense abriu no domingo licitação para a construção de 32 unidades habitacionais no assentamento de Betar Ilit, na Cisjordânia, um dos enclaves que Israel pretende conservar.

Cerca de 500 mil judeus vivem em terras da Cisjordânia capturadas por Israel na guerra de 1967, incluindo Jerusalém oriental. Aproximadamente 2,5 milhões de palestinos vivem nessas áreas.

O conselho Yesha, grupo que engloba os colonos israelenses que vivem na Cisjordânia, reagiu ao plano de oferta de indenização pedindo 'a retirada da vida pública do governo de Olmert, incluindo Haim Ramon'.

Quando Israel desocupou a Faixa de Gaza, em 2005, retirou 8.000 colonos israelenses do território e pagou indenizações a eles.

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