Olmert, o primeiro-ministro por acidente que não aproveitou sua chance

Jerusalém, 21 set (EFE) - Ehud Olmert, que hoje deve apresentar sua renúncia como primeiro-ministro de Israel, passará à história como um político que chegou à Chefia do Governo de maneira acidental e não soube aproveitar essa oportunidade.

EFE |

Aos 62 anos, Olmert será obrigado a abandonar o cargo após apenas 32 meses à frente do Governo e uma gestão que esteve dominada por dois eventos - um militar e outro diplomático - e pelos incessantes escândalos de corrupção que, finalmente, o derrubaram.

O acontecimento militar foi o conflito contra a guerrilha Hisbolá em território libanês em 2006, após o que afloraram as primeiras críticas à sua gestão pelo fracasso do Exército israelense ao tentar desmantelar um grupo armado muito inferior em número e equipamentos.

Um relatório oficial responsabilizou Olmert pelo fracasso de forma pessoal, o que, no entanto, não o convenceu a abandonar um cargo o qual não parecia estar pronto para ocupar.

Os opositores ao primeiro-ministro lembraram a forma como tinha chegado ao cargo: a inércia política de uma sucessão obrigada pelo derrame cerebral sofrido em janeiro de 2006 por seu antecessor, Ariel Sharon, a quem tinha seguido do Likud ao Kadima dois meses antes.

No entanto, a porta de "possível herdeiro" tinha sido aberta a Olmert em 2004, durante os preparativos da evacuação de Gaza, quando defendeu a retirada diante da opinião pública local.

Em março de 2006, revalidou seu mandato em eleições gerais nas quais o Kadima foi o partido mais votado, mas teve que formar um Governo de coalizão com outras legendas.

O outro processo mais significativo de sua gestão como primeiro-ministro é, sem dúvida, a restauração das relações com a Autoridade Nacional Palestina (ANP) e das negociações de paz, lançadas oficialmente na conferência de Annapolis (Estados Unidos), de novembro de 2007.

As partes acertaram firmar, no fim de 2008 ou janeiro de 2009, um acordo de paz que propiciaria o estabelecimento do Estado palestino, um objetivo que agora encontra como obstáculos os atrasos típicos deste tipo de negociação e a crise política gerada pelas suspeitas de corrupção contra Olmert. EFE elb/db

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