Daniela Brik Jerusalém, 5 mai (EFE).- O primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, e o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, reiteraram hoje seu compromisso com o processo iniciado em Annapolis (Estados Unidos) para firmar um acordo de paz até o final do ano.

"Os dois governantes se encontraram esta tarde por duas horas na residência oficial do primeiro-ministro israelense em Jerusalém, onde reiteraram seus compromissos com o marco de Annapolis para conseguir um acordo antes do final do ano", declarou à Agência Efe o porta-voz de Olmert, Mark Regev.

Olmert e Abbas também abordaram "questões tangíveis, como as situações da Cisjordânia e de Gaza", acrescentou a fonte.

O Governo israelense expressou seu "desejo de cooperar com a ANP para tentar garantir que não se produza uma crise humanitária em Gaza", disse o porta-voz israelense, ao se referir a esse território palestino que enfrenta um ferrenho bloqueio desde que o movimento islamita Hamas chegou ao poder, em junho de 2007.

Regev explicou que as conversas mantidas por Abbas e Olmert desde dezembro "são as mais sérias que Israel já teve com os palestinos", embora tenha se recusado a dizer se existe algum avanço significativo.

No entanto, uma importante fonte oficial israelense citada pela edição eletrônica do diário "Yedioth Ahronoth" falou que nas reuniões foram obtidos alguns progressos importantes, principalmente em assuntos relativos às fronteiras permanentes de um futuro Estado palestino e quanto às regras de segurança entre as partes.

Desde que Israel e a ANP começaram a negociação de paz, não foram obtidos resultados do diálogo, que foi dificultado pela resistência israelense. Desta forma, foi prejudicada a remoção dos postos e barreiras de controle militar na Cisjordânia, assim como a contenção da expansão de colônias judias nesse território e em Jerusalém Oriental (árabe).

Apesar do aparente bloqueio no que se refere a estes problemas, os dois interlocutores teriam abordado até 90% dos assuntos cruciais do conflito em suas reuniões, que se tornaram periódicas, segundo declarou ontem o próprio Abbas.

Após sua última reunião, o chefe negociador da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) e assessor de Abbas, Saeb Erekat, afirmou que as conversas de hoje foram "muito profundas e sérias".

O funcionário palestino, que participou da primeira parte do encontro com a titular de Exteriores israelense, Tzipi Livni, disse, em uma coletiva de imprensa posterior na cidade cisjordaniana de Ramala, que Olmert e Abbas discutiram todas as questões relativas ao estatuto definitivo de paz.

"Todos os assuntos estão sob negociação, e a questão dos presos palestinos em prisões israelenses também foi apresentada", insistiu Erekat, apesar de jornais palestinos terem informado previamente que assuntos como Jerusalém ou o retorno dos refugiados não haviam sido tratados.

Abbas mencionou a solicitação palestina de que "todos os assentamentos ilegais na Cisjordânia fossem desmantelados", e expressou sua compreensão pelo "sofrimento do povo palestino devido aos atuais bloqueios e à continuidade dos assentamentos", acrescentou.

"O que se requer é mais paciência, até que alcancemos nossos objetivos", concluiu o negociador da OLP.

A reunião entre Olmert e Abbas aconteceu pouco depois de o chefe do Governo israelense ter se reunido, por dois dias, com a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, que deixou hoje a região.

Rice, que se reuniu ontem com Abbas em Ramala, pediu a Israel que faça mais para aliviar a situação dos palestinos na Cisjordânia.

A chefe da diplomacia americana explicou à imprensa que israelenses e palestinos têm o mesmo objetivo de resolver suas piores divergências este ano.

"Acho que sabem precisamente o que tentam fazer. Estão tentando conseguir um acordo para o final do ano, que resolva as questões centrais", afirmou Rice à imprensa ao deixar a região. EFE db-fn/bm/gs

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