Olmert e Abbas reconhecem que há obstáculos, mas reafirmam vontade de acordo

Elías L.Benarroch Jerusalém, 7 abr (EFE).

EFE |

- O primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, e o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, demonstraram hoje preocupação com as ameaças que ofuscam o diálogo que ambos mantêm, mas reafirmaram que prosseguirão com a negociação até fechar um acordo de paz este ano.

Em seu primeiro encontro em seis semanas, os dois dirigentes "demonstraram seu compromisso com o processo iniciado em novembro, em Annapolis (Estados Unidos) e se comprometeram a fazer todos os esforços para chegar a um acordo histórico até o final do ano", disse à Agência Efe o porta-voz de Olmert, Mark Regev.

Olmert e Abbas acordaram em não deixar que as divergências "criem obstáculos às conversas", disse o porta-voz, em alusão implícita à violência palestina em Gaza e à extensão dos assentamentos judaicos para Jerusalém Oriental e na Cisjordânia.

Uma boa parte das conversas se centrou precisamente na expansão de colônias por parte de Israel, que aprovou a construção de mais de 1.900 novos imóveis este ano.

O negociador da ANP, Saeb Erekat, confirmou em entrevista coletiva em Ramala que Abbas criticou reiteradamente "a construção nas colônias" e que Olmert lhe respondeu com queixas sobre "os ataques desde Gaza".

O fim da violência e da expansão dos assentamentos são dois dos compromissos básicos que Israel e a ANP assumiram em novembro na conferência de Annapolis ao aceitar como fórmula de trabalho o Mapa de Caminho.

Apesar de o diálogo aparentemente não prosperar, os dirigentes firmaram novamente um acordo hoje para avançar na aplicação de seus respectivos compromissos conforme o plano, lançado em 2003 pelo Quarteto de Madri - integrado por ONU, EUA, União Européia (UE) e Rússia.

"Cada parte tem consciência de quais são seus compromissos", explicou Regev, que afirmou que, apesar do descumprimento do Mapa de Caminho, Olmert e Abbas "insistiram" no objetivo estabelecido em Annapolis de obter um acordo até dezembro.

Veículos de comunicação locais indicam que a insistência de ambos está relacionada com as sucessivas visitas de dirigentes americanos a partir da semana que vem.

O primeiro a chegar será o assessor de Segurança Nacional da Casa Branca, Stephen Hadley, que será seguido, no final de abril, pela secretária de Estado americana, Condoleezza Rice.

Em maio, será o presidente dos Estados Unidos e principal impulsionador da atual negociação, George W. Bush, a fazer uma nova viagem pela região, a segunda deste ano.

A reunião entre Olmert e Abbas foi realizada na residência do primeiro-ministro israelense em Jerusalém e durou aproximadamente três horas.

Nas primeiras duas horas, eles estiveram acompanhados de suas respectivas equipes negociadoras. Ambos realizaram um almoço de trabalho entre as delegações.

A última parte consistiu em uma reunião particular de Olmert e Abbas, que se encontraram a sós pela primeira vez desde que este último suspendeu brevemente as negociações em março, após uma dura ofensiva militar israelense na Faixa de Gaza que matou cerca de 130 palestinos, sendo mais da metade civis.

No entanto, os contatos continuaram entre os chefes das equipes negociadoras de ambos os lados, a ministra de Exteriores israelense, Tzipi Livni, e o ex-primeiro-ministro da ANP e assessor presidencial Ahmed Qorei.

Np domingo, em um encontro com dirigentes de seu partido Fatah, o presidente da Autoridade anunciou que "estamos mantendo negociações de paz sérias (com Israel) e queremos encontrar uma solução para todos os aspectos" do conflito.

Também se reúnem com relativa freqüência o primeiro-ministro da ANP, Salam Fayyad, e o ministro da Defesa israelense, Ehud Barak, para discutir a aplicação do Mapa de Caminho.

Para Erekat, apesar destes encontros "a situação na Cisjordânia não mudou em nada" e os palestinos continuam "enfrentando os mesmos problemas que antes".

O negociador palestino qualificou de "relações públicas" o anúncio de Israel há poucos dias sobre a retirada de 50 postos de controle e obstáculos militares na Cisjordânia, uma das exigências do Mapa de Caminho. EFE fn/bf/db

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