Olmert depõe pela terceira vez em caso de suborno e fraude

Elías L. Benarroch Jerusalém, 11 jul (EFE) - O primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, foi interrogado hoje pela terceira vez por agentes da União Nacional de Fraude da Polícia pela suposta participação em um caso de suborno, agora estendido a um de fraude.

EFE |

As suspeitas contra Olmert foram ampliadas no interrogatório de hoje por supostas irregularidades em solicitações de financiamento público para diferentes organismos e instituições, que pagaram ao atual primeiro-ministro várias viagens de forma simultânea.

Tais afirmações são feitas pela imprensa, pela Polícia e pelo Ministério da Justiça, que garantem que estes organismos atenderam às solicitações do atual chefe do Governo israelense.

"Foi pedido ao primeiro-ministro para dar sua versão sobre suspeitas de fraude e outras ofensas", diz a nota de imprensa.

Os investigadores acreditam que o financiamento duplicado tenha servido para pagar as viagens de diferentes membros da família, através de um mecanismo do qual também participava a agência de viagens que prestava serviços a Olmert.

A agência enviava a cada instituição uma fatura original das passagens e despesas de hotel, gerando, assim, excedentes de financiamento, que eram depositados em uma conta privada no nome de Olmert. Depois, a própria empresa retirava dinheiro para pagar as férias privadas da família.

O interrogatório, que começou às 10h (4h, em Brasília) e terminou depois do meio-dia, aconteceu na residência oficial do chefe de Governo, onde houve uma "grande tensão" entre os agentes e Olmert, segundo a edição eletrônica do jornal "Yedioth Ahronoth".

Fontes policiais disseram que o primeiro-ministro foi advertido formalmente de que é suspeito e de que qualquer informação que dê a partir de agora poderá ser utilizada contra si durante o processo judicial.

O comunicado acrescenta que as últimas suspeitas se referem ao período no qual Olmert foi prefeito de Jerusalém, entre 1993 e 2003, e ministro da Indústria e Comércio, entre 2003 e 2005.

Olmert ocupa a Chefia do Governo israelense desde janeiro de 2006, quando substituiu Ariel Sharon, depois que este sofreu um derrame cerebral que o afastou de suas funções. Três meses depois, como ordena a lei, foi eleito nas eleições gerais.

Sobre o interrogatório de hoje, o Escritório do Primeiro-ministro israelense comunicou que "a terra não tremeu nem o céu desabou", em alusão a advertências da imprensa de que o encontro com os investigadores seria "mais duro" que o anterior.

Além da fraude das viagens, o primeiro-ministro israelense precisou explicar de novo perante a Polícia sobre suas relações com o empresário americano Morris Talansky, que confessou ter entregue US$ 150 mil a Olmert por um período de 15 anos, antes de esse chegar à Chefia do Governo.

Em troca das contribuições, o atual primeiro-ministro israelense teria ajudado Talansky em seus negócios particulares.

O empresário, que testemunhará pela segunda vez no dia 17, também financiaria alguns luxos de Olmert, como viagens ao exterior.

O terceiro interrogatório do primeiro-ministro israelense segue a ordem que a Polícia israelense enviou aos Estados Unidos para colher depoimentos e provas de outras testemunhas.

Segundo fontes locais, estas são tão contundentes que Olmert não poderá escapar dos tribunais.

O jornal "Ha'aretz" informa hoje, citando fontes policiais, que "as provas recolhidas são muito sérias e que qualquer outra pessoa já teria sido presa".

Pressões dentro e fora do partido convenceram Olmert de que é preciso realizar eleições internas, em setembro, no Kadima, para escolher um novo dirigente, que será seu substituto como candidato a primeiro-ministro em qualquer eventualidade política que a renúncia possa provocar. EFE elb/fh/db

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