Olmert defende desocupação de territórios por Israel

Israel deveria abandonar quase todos os territórios conquistados na guerra de 1967 em troca da paz com os palestinos e a Síria, disse o primeiro-ministro Olmert, em entrevista publicada na segunda-feira.

Reuters |

Prestes a deixar o cargo sob o peso de suspeitas de corrupção, Olmert admitiu ao jornal Yedioth Ahronoth que estava dizendo "o que nenhum líder israelense anterior jamais disse: que deveríamos nos retirar de quase todos os territórios, inclusive em Jerusalém Oriental e nas colinas do Golã".

O jornal disse que a entrevista, publicada na véspera do Ano-Novo Judaico, servia como "legado" para o premiê, que acenou com propostas muito mais ousadas do que as que defendia antes, quando não estava demissionário e tinha força política para a negociação.

"Quem dera tivéssemos ouvido esta opinião pessoal antes que ele renunciasse", disse o chanceler palestino, Riyad Al Malki. "É um compromisso importantíssimo, mas tarde demais. Tomara que este compromisso seja plenamente realizado pelo governo israelense."

Segundo autoridades ocidentais e palestinas, Olmert propôs durante as negociações uma retirada de 93% da Cisjordânia, além da Faixa de Gaza, já desocupada totalmente por Israel em 2005.

Repetidamente, o premiê disse que Israel deveria manter para si os principais blocos de assentamentos judaicos na Cisjordânia. De acordo com ele, Israel teria de indenizar os palestinos pelas terras anexadas "à razão próxima de 1 para 1".

Em troca dos assentamentos, Olmert propõe uma troca de cerca de 5 por cento do território, dando aos palestinos uma área desértica contígua à Faixa de Gaza, e também um terreno onde poderia ser construído um corredor de trânsito entre a Cisjordânia e a Faixa de Gaza.

Há poucos sinais de avanço nas negociações, retomadas em novembro sob os auspícios de Washington, com a meta, agora improvável, de que o acordo fosse concluído até o final deste ano.

Olmert disse que manterá o processo de paz enquanto estiver no cargo. Sua chanceler, Tzipi Livni, está negociando a formação de um gabinete e deve substituí-lo nas próximas semanas.

Antes da divulgação dessa entrevista, o negociador palestino, Ahmed Qurie, disse que a anexação de assentamentos impediria os palestinos de criarem um Estado viável e contíguo.

"Não podemos ter um Estado com assentamentos dividindo a terra", disse Qurie. Outro negociador palestino disse que os pedaços oferecidos por Olmert na troca são "terras que não queremos".

Sob mediação da Turquia, Olmert também mantém negociações indiretas com a Síria. Na entrevista, ele disse que a paz seria impossível "sem que afinal abramos mão das colinas do Golã".

Mas até agora ele rejeita qualquer conversa que leve à divisão de Jerusalém e ao chamado "direito de retorno" para os refugiados palestinos e seus descendentes - duas reivindicações cruciais para os árabes, às quais Israel se opõe de antemão.

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