Jerusalém, 29 set (EFE).- O primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, defendeu, em entrevista publicada hoje, que seu país ceda as Colinas de Golã, a Cisjordânia e parte de Jerusalém Oriental em troca da paz com sírios e palestinos.

Na entrevista, concedida ao jornal "Yedioth Ahronoth" em virtude do início do ano novo judaico, Olmert, que já anunciou sua renúncia, detalhou algumas concessões para a paz.

O israelense reconhece que durante décadas defendeu uma linha dura diante dos palestinos que o impedia de ver a necessidade de entregar territórios em troca da paz.

Olmert acredita que Israel tem agora "um curto espaço de tempo antes de chegar a uma situação de grande necessidade" na qual deve "dar um passo histórico nas relações com palestinos e sírios".

"Faz 40 anos que fechamos os olhos para a decisão fundamental a ser tomada": a entrega de territórios, de "quase todos, se não de todos eles" no caso dos palestinos, diz Olmert.

"Inclusive de Jerusalém, com soluções especiais que posso imaginar na questão do Monte do Templo (nome dado por Israel à Esplanada das Mesquitas) e dos lugares sagrados históricos", ressalta.

"Aquele que disser com seriedade que quer segurança em Jerusalém sem ter que cortar as pernas dos seus melhores amigos com uma escavadeira (...) precisa ceder partes de Jerusalém", disse em alusão a um recente ataque palestino contra um de seus amigos.

Na mesma linha, o ainda primeiro-ministro diz que "quem quiser ficar com toda a cidade terá que colocar dentro das fronteiras de Israel 270 mil árabes. E isso é impossível". Por isso, "é preciso decidir".

Olmert defende compensar os palestinos, em um eventual acordo de paz, com a cessão de território israelense pela perda de suas áreas que ficaram nas mãos de Israel, principalmente assentamentos judaicos.

"Acho que estamos muito perto de um acordo" com os palestinos, diz Olmert, que em novembro do ano passado se comprometera com o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, na cúpula de Annapolis, nos Estados Unidos, a assinar a paz antes de janeiro de 2009.

Também citou expressamente as Colinas de Golã, que ocupou na Guerra dos Seis Dias de 1967, como o território que Israel precisará devolver à Síria em troca da paz.

"Eu gostaria de ver se há uma pessoa séria no Estado de Israel que acredite ser possível alcançar a paz com a Síria sem ceder as Colinas de Golã", ressalta.

Neste sentido, o líder israelense responde a quem adverte sobre os riscos de negociar com um inimigo como Damasco que, apesar de "ser certo que um acordo com a Síria represente perigo, aqueles que quiserem atuar com perigo zero devem se mudar para Suíça".

O conteúdo da entrevista gerou reações críticas na esquerda e na direita do arco parlamentar, embora por motivos diferentes. EFE ap/fh/rr

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