Olmert defende acordo de paz que exclua a questão de Jerusalém

O primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, sugeriu neste domingo durante uma reunião com o presidente palestino, Mahmud Abbas, a conclusão até o fim deste ano de um acordo de paz que exclua a questão de Jerusalém.

AFP |

No entanto, a parte palestina rejeitou imediatamente qualquer acordo que não inclua uma solução sobre o estatuto da cidade santa.

"As duas partes querem chegar a um acordo geral até o fim deste ano, e acreditam que é possível", declarou ao término da reunião um alto representante israelense, que não quis ser identificado.

"Porém, como é impossível resolver a questão de Jerusalém dentro deste prazo, é preciso que as partes adiem provisoriamente as discussões sobre este problema específico, e criem um mecanismo e um cronograma para Jerusalém", acrescentou.

"Sem a parte leste de Jerusalém como capital de um Estado palestino, qual seria o sentido de um acordo?", respondeu Saeb Erakat, um dos principais negociadores palestinos.

"Não vamos concordar com um acordo parcial que adie a questão de Jerusalém", insistiu Erakat durante uma entrevista coletiva em Ramallah, na Cisjordânia.

Ele reafirmou o pedido palestino de congelamento da colonização israelense, e anunciou que "as negociações vão continuar pelo tempo que for preciso para chegar a um acordo que acabe com a ocupação" israelense.

A reunião desde domingo, realizada na residência oficial de Olmert em Jerusalém, durou quase duas horas e teve a participação dos chefes das equipes de negociadores das duas partes, a chanceler israelense Tzipi Livni e o ex-primeiro-ministro palestino Ahmad Qorei.

Mark Reguev, porta-voz do governo israelense, garantiu que a renúncia anunciada de Olmert, envolvido em vários escândalos de corrupção, "não afeta as discussões".

Ehud Olmert deve renunciar depois das primárias de seu partido, o Kadima (centro), previstas para o dia 17 de setembro.

No entanto, ele continuará exercendo o poder durante vários meses, até que um novo governo seja formado ou que eleições antecipadas sejam organizadas.

Segundo a rádio pública israelense, Olmert deseja chegar a um acordo geral que poderia apresentar, junto com Abbas, à Casa Branca no próximo mês, mesmo se for necessário para isso deixar de lado os pontos mais polêmicos.

Já os palestinos querem o acordo mais explícito possível.

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, e a secretária de Estado, Condoleezza Rice, exortam as duas partes a concluir um acordo antes do fim deste ano, como havia sido combinado em 2007 na conferência de Annapolis.

Livni, favorita das pesquisas para suceder a Olmert, expressou suas reservas quanto à conclusão rápida de um acordo.

Em 12 de agosto, o jornal israelense Haaretz havia afirmado que Olmert tinha submetido ao presidente palestino um projeto de acordo que previa a retirada de 93% da Cisjordânia. Esta informação não foi confirmada oficialmente.

rb/yw

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