Olmert confirma fracasso de negociações com o Hamas

Daniela Brik. Jerusalém, 17 mar (EFE).- O primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, confirmou hoje o fracasso dos contatos indiretos com o grupo islamita palestino Hamas e a mediação do Egito para conseguir uma troca de presos pela libertação do soldado Gilad Shalit.

EFE |

"Não poupamos esforços, mas o Hamas é um grupo assassino e sem escrúpulos", disse Olmert em pronunciamento no qual desistiu oficialmente de negociar com o Hamas para conseguir a libertação de Shalit antes do término de seu mandato.

Apesar de a imprensa local informar que o Governo israelense ventilava a possibilidade de aceitar "dolorosas concessões" ao Hamas para obter a liberdade do soldado, Olmert disse esta noite que "o Estado de Israel tem limites que não serão ultrapassados".

Na tarde (local) de hoje, seu gabinete se reuniu em uma sessão extraordinária de três horas para analisar os esforços para libertar Shalit, capturado pelo braço armado do Hamas e outras três milícias palestinas em um ataque a uma base militar israelense próxima à fronteira de Gaza, em junho de 2006.

Depois do encontro, vários ministros tacharam de "estagnadas" as negociações indiretas com o Hamas, realizadas com a mediação do Egito.

"Nenhum Governo poderia aceitar as exigências do Hamas", afirmou o titular de Justiça, o independente Daniel Friedman.

O Conselho de Ministros foi assessorado sobre o assunto pelos enviados especiais nas negociações no Cairo Ofer Dekel, e Yuval Diskin, chefe do serviço de segurança interior, o Shin Bet.

Em frente à sede do Governo israelense, vários manifestantes e simpatizantes da família do soldado protestaram pelo fracasso da negociação.

Após explicar à família de Shalit as circunstâncias da suspensão das negociações, Olmert afirmou disse que seu Governo não vai aceitar as exigências impostas pela facção palestina.

O premiê acrescentou que as propostas de Israel foram "generosas e de grande alcance, e tinham como objetivo o êxito na tentativa de libertar Gilad", embora não tenha especificado o que foi oferecido ao Hamas.

Israel e Hamas mantiveram nos últimos dias no Cairo intensos contatos para a soltura do militar em troca da libertação total de mais de mil presos palestinos.

A troca deveria acontecer em três fases, sendo que na primeira o Hamas exigia a Israel a libertação de 450 prisioneiros condenados por terrorismo e crimes de sangue, entre eles responsáveis por alguns mais sangrentos ataques suicidas em Israel na Segunda Intifada.

A rádio pública israelense informou que Israel estaria disposto a libertar o soldado em troca de 320 presos palestinos.

O "Canal 10" da TV local disse que mais de mil israelenses morreram - entre civis e militares - em ataques perpetrados e planejados por vários dos detidos palestinos que poderiam ser libertados em troca de Shalit.

Israel e o Hamas trocaram acusações sobre o fracasso destas negociações, nas quais não conseguiram chegar a um acordo sobre o número e a identidade dos presos palestinos que seriam libertados, e as condições em que recuperariam a liberdade.

Segundo a imprensa local, o chefe do braço armado do Hamas, Ahmed Jaabari, rejeitou a troca ao se negar que parte dos libertados fosse deportada a Gaza ou a algum país árabe, em vez de retornar à Cisjordânia.

No entanto, o movimento islamita não dá por finalizada a negociação, e pediu que Israel retorne à mesa de diálogo.

A iminente chegada ao poder em Israel do líder do conservador Likud, Benjamin Netanyahu, foi usada como argumento por Olmert para pressionar o Hamas a aceitar a troca, em razão da previsível postura mais dura que o próximo Governo pode assumir sobre a questão.

Olmert, que deixará o poder em breve, disse que nos cerca de três anos desde o sequestro de Shalit, fez o possível para conseguir sua libertação, apelando a fóruns e líderes regionais e mundiais sem sucesso.

"Continuaremos conversando com quem pudermos, e não vamos desistir de nossos esforços", acrescentou o primeiro-ministro, que, no entanto, disse não haverá novas ofertas ao Hamas. EFE db/mh

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