Olmert afirma que trégua com Hamas em Gaza está por um fio

A trégua com o grupo radical palestino Hamas na Faixa de Gaza, em vigor desde 19 de junho, está em migalhas depois dos recentes atos de violência, afirmou neste domingo o primeiro-ministro israelense do governo de transição, Ehud Olmert.

AFP |

Durante o conselho semanal de ministros, Olmert pediu às autoridades militares que estudem uma maneira de acabar com o "regime do Hamas" na Faixa de Gaza.

"O fato de que a calma esteja em migalhas e a criação de uma situação de violência prolongada e repetida no sul do país são de inteira responsabilidade do Hamas e dos demais grupos terroristas", disse Olmert.

Depois dos novos atos de violência, as passagens entre o território palestino e Israel permanecem fechadas, o que impede a distribuição de ajuda alimentar e de medicamentos da ONU.

O Hamas rebateu as acusações, que chamou de "manipulações midiáticas" e que "não refletem a realidade".

"É nosso direito responder firmememente a qualquer agressão sionista contra os palestinos", disse o porta-voz do grupo, Fawzi Barhum.

Na manhã de domingo, quatro palestinos armados morreram em uma ação do Exército hebreu, apesar da trégua entre Hamas e Israel, em vigor desde 19 de junho na Faixa de Gaza.

Os Comitês de Resistência Popular (CRP), pequena formação aliada ao Hamas, anunciou que quatro ativistas mortos pertenciam ao movimento.

O Exército israelense confirmou um ataque aéreo contra um grupo de palestinos que disparava foguetes a partir do norte da Faixa de Gaza.

Antes do ataque, dois foguetes lançados de Gaza explodiram no sul de Israel, sem provocar vítimas ou danos materiais.

Diante do recrudescimento da violência, Olmert ameaça ordenar uma grande operação militar na Faixa de Gaza para impedir os disparos de foguetes e desestabilizar o grupo extremista.

"Ordenei aos serviços de segurança que me apresentem o mais rápido possível as propostas para estabelecer um plano de ação", disse.

Tzipi Livni, líder do partido governista Kadima, que pode substituir Olmert após as eleições de 10 de fevereiro, concorda com o premier.

"A trégua foi violada, é um fato. Israel não pode aceitar uma violação sem agir. O Exército deve nos apresentar opções para determinar a natureza de nossa reação", declarou.

O tom da divergência veio do líder trabalhista e ministro da Defesa, Ehud Barak, que usou um tom mais moderado.

"Se o outro campo quiser calma, consideraremos seriamente", disse.

Antes do período de tensão, 160 caminhões cruzavam diariamente os dois principais pontos de passagem, de Kerem Shalom e Karni, com alimentos, medicamentos, material médico, além de cimento e outros materiais de construção.

As organizações humanitárias e a ONU estão preocupadas com a situação em Gaza e já alertaram para a possibilidade de uma crise alimentar no território, onde as condições de vida são cada vez mais difíceis desde que o Hamas assumiu o poder à força, em junho de 2007.

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