Olmert admite que acordo com os palestinos não será possível antes do fim do ano

O primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, emitiu abertamente pela primeira vez nesta segunda-feira uma dúvida sobre a possibilidade de chegar a um acordo anets do fim deste ano com os palestinos, devido a divvergências sobre Jerusalém.

AFP |

Apesar das dúvidas emitidas por Olmert, a Casa Branca expressou a intenção de seguir "incentivar" israelenses e palestinos a concluírem um acordo.

"Não acho que possamos chegar a um acordo sobre a questão de Jerusalém antes do fim deste ano", declarou Olmert à comissão das Relações Exteriores e da Defesa do Parlamento.

Esta é a primeira vez que o primeiro-ministro admite tão claramente que um acordo com os palestinos, que exigem uma resolução da questão da parte leste de Jerusalém, anexada por Israel, seja irrealizável antes do fim de 2008.

Porém, accrescentou, "pretendemos criar um mecanismo que permitirá tratar esta questão durante um período bem mais longo, até a conclusão de um acordo", destacou o premier israelense, durante as discussões a portas fechadas desta comissão.

O estatuto de Jerusalém, sobretudo a sorte da cidade antiga que abriga o primeiro lugar santo judeu, o Muro das Lamentações, e o terceiro lugar santo muçulmano, a mesquita de Al-Aqsa, já impediu no passado progressos nas negociações israelense-palestinas.

Entretanto, Olmert considerou que "sobre outros pontos cruciais, as divergências (entre israelenses e palestinos) não são tão dramáticas".

Ele mencionou a existência de um "consenso" sobre a questão dos refugiados palestinos de 1948, segundo o qual Israel "não se reponsabilizaria" pelo destino dos mesmos.

O primeiro-ministro também destacou que sobre a questão das fronteiras de um futuro Estado palestino, "as diferenças não são insuperáveis". Ele prometeu que qualquer projeto de acordo será submetido ao aval da população israelense.

Os dirigentes palestinos, que querem transformar a parte leste de Jerusalém na capital de seu futuro Estado, rejeitaram qualquer acordo que não inclua a Cidade Santa. "Não aceitaremos nenhum acordo que não inclua Jerusalém", afirmou à AFP Nabil Abu Rudeina, porta-voz do presidente da Autoridade Palestina Mahmud Abbas.

"Não podemos aceitar nenhuma concessão" sobre a questão de Jerusalém, insistiu, considerando que Olmert está tentando ""fugir dos compromissos" assumidos no fim do ano passsado durante a conferência de Annapolis, nos Estados Unidos.

Esta conferência permitiu relançar as negociações de paz, que estavam paralisadas há quase oito anos.

No dia 13 de julho em Paris, por ocasião do lançamento da União pelo Mediterrâneo (UPM), Olmert havia declarado: "Nunca estivemos tão próximos de um acordo de paz".

A Casa Branca procurou mostrar otimismo. "Sempre dissemos que não conseguiríamos chegar a um acordo de paz definitivo, com todas as questões resolvidas, mas que teríamos estabelecido um caminho, com todas as medidas que precisariam ser tomadas para progredir", declarou a porta-voz Dana Perino.

"Estamos no fim de julho, então continuamos a incentivá-los" para concluir um acordo, acrescentou.

As declarações de Olmert acontecem num momento em que ele está politicamente enfraquecido por seu susposto envolvimento em vários casos de corrupção.

rb/yw

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