Oliviero Toscani quis fotografar Eluana Englaro

Roma, 15 fev (EFE).- O fotógrafo e publicitário italiano Oliviero Toscani quis fotografar Eluana Englaro, italiana que morreu após 17 anos em coma, porque é preciso documentar essa realidade que, graças à tecnologia, mantém os mortos entubados nos hospitais, diz, em entrevista publicada hoje pelo jornal La Repubblica.

EFE |

Toscani, conhecido por suas campanhas publicitárias para a marca italiana Benetton, afirma que o pai de Eluana, Giuseppe Englaro, errou em sua "estratégia de comunicação" por ter divulgado uma foto da filha antes do acidente, e também nega ter oferecido dinheiro para fotografá-la.

As imagens divulgadas pela família de Eluana mostravam uma jovem de 21 anos sorrindo, mas a mulher morreu com 38 anos e atingida pelas consequências de seu prolongado estado vegetativo.

Toscani acredita que era necessário ver "como ela tinha se transformado", já que a foto divulgada pela imprensa era uma "instrumentalização".

Segundo ele, é como se se mostrassem fotos dos judeus de Auschwitz "antes da entrada nos campos de concentração".

O publicitário diz que foi comunicado um "equívoco" à opinião pública com a publicação dessa fotografia, que fez com que muita gente achasse que Eluana era "ainda essa bela menina cheia de vida".

O fotógrafo italiano diz que existe uma "beleza da tragédia" e que a grande arte está cheia de imagens deste tipo.

Segundo ele, é preciso documentar essa realidade que, graças à tecnologia, mantém os mortos "entubados nos hospitais" em vez de no cemitério.

Eluana morreu na segunda-feira passada, três dias depois que ter a alimentação e a hidratação interrompidas, uma decisão autorizada pela Corte Suprema italiana, mas rejeitada pelo Governo do primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi. EFE fab/an

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