Oliver Stone volta a retratar vida de um presidente americano

Antonio Martín Guirado Los Angeles (EUA), 2 jul (EFE).- A fama de polêmico do cineasta Oliver Stone parece longe de terminar, e o alvo de seu próximo trabalho volta a ser o morador da Casa Branca, um dos homens mais poderosos do mundo.

EFE |

Depois de dissecar com o talento de um cirurgião o assassinato de John Fitzgerald Kennedy em "JFK - A Pergunta que Não Quer Calar" (1991) e de retratar a queda de Richard Nixon em 1995, Stone promete agora "uma história shakespeariana" em "W", sua biografia de George W. Bush.

Com um orçamento de US$ 30 milhões e estréia prevista para outubro, pouco antes das eleições presidenciais nos Estados Unidos, Oliver Stone assegura que o filme retratará "o estranho pouco desenvolvimento da democracia americana".

O filme será dividido em três atos: a juventude transviada de Bush, sua aproximação em direção às causas evangélicas e seu primeiro mandato na Casa Branca, embora o próprio diretor afirme que a obra não será "tão complexa" como "Nixon".

"Não percebo a vida de George Jr. de uma maneira tão agitada ou psicanalítica como a de Nixon", afirmou Stone ao portal "Digital Spy".

"Como uma pessoa tão atraída pela bebida se transforma não apenas no governador do Texas, mas também no líder do 'Mundo Livre'?", disse Stone, que afirmou que sua intenção é "entrar na mente de Bush, e não menosprezá-la".

O cineasta indicou ainda que não será crítico como Michael Moore, que fez de Bush seu alvo predileto nos documentários "Tiros em Columbine" (2002) e "Fahrenheit 11 de Setembro" (2004).

"Moore me encanta, mas não queria fazer esse tipo trabalho", disse Stone, que explicou que a figura do atual presidente americano será tratada com seriedade, mas não será totalmente séria.

Para isso, o diretor conta com James Cromwell, no papel de George Bush pai, Elizabeth Banks, que interpretará a primeira-dama Laura Bush, e Richard Dreyfuss, na pele do vice-presidente Dick Cheney.

O papel de George W. Bush ficará com o ator Josh Brolin, que afirma que precisou de muito tempo para conseguir o sotaque exato do presidente, para não correr o risco de se transformar em uma imitação do programa "Saturday Night Live".

No entanto, Brolin declarou que "o mais importante não é fazer uma cópia de sua voz com perfeição, mas conseguir a voz interior do personagem, que se pergunta: "Qual é meu lugar neste mundo? Como posso ser lembrado?".

Uma recente pesquisa do jornal "Los Angeles Times" mostrou a baixa popularidade de Bush, mas Brolin afirma que "W" não tem a intenção de "chutar cachorro morto".

"Os republicanos podem assistir (ao filme) e dizer: 'É por isso que gosto deste tipo (de pessoa)'", afirmou o ator.

"Não é um filme político, mas uma biografia. O povo lembrará que este homem também é humano, embora ele seja sempre desumanizado ao ser chamado de idiota, marionete ou fracassado", disse.

"O que mais queremos entender no filme é como esse homem cresce até se transformar na pessoa que é", declarou Brolin.

Moritz Borman, um dos produtores do filme, assumiu o risco de financiar a obra do controverso Stone, com pleno conhecimento de que o cineasta já sofreu um forte baque de bilheteria com "Nixon", cujo custo de produção foi de US$ 44 milhões e a arrecadação nos EUA não passou de US$ 13 milhões.

"Junte esses dois nomes, os de Bush e Stone, e todo o mundo tem uma idéia preconcebida sobre o que vai será o filme", afirmou Borman, que por outro lado citou "As Torres Gêmeas" (2006) como exemplo de que a polêmica às vezes oculta o verdadeiro conteúdo da obra.

"Houve um alvoroço quando se anunciou e quando se aproximou de sua estréia. As mesmas pessoas que protestaram contra o filme depois elogiaram e disseram que ele precisava ser visto", acrescentou.

O resultado final estará aberto para discussão, mas seguramente não deixará ninguém indiferente. EFE mg/bm/mh

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