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Olimpíada mais cara da história é pouco polêmica na China

Com gastos totais provavelmente superando os US$ 42 bilhões, os Jogos Olímpicos de Pequim podem ser os mais caros da história - mais que o dobro dos US$ 16 bilhões investidos nos Jogos de Atenas, há quatro anos. A China gastou dinheiro em estádios novos, projetos de infra-estrutura e para limpar o ambiente poluído da capital.

BBC Brasil |

Em outros lugares do mundo, o alto custo teria criado um polêmico debate público, mas na China houve pouca controvérsia.

Em um país onde a informação nem sempre é acessível, grande parte das pessoas parece não saber quanto está sendo gasto.

Dinheiro público e privado

Segundo o comitê de organização de Pequim (Bocog, na sigla em inglês), a cidade gastou US$ 1,9 bilhão construindo 12 novos estádios e reformando outros.

Muitos foram construídos com investimentos públicos e privados.

Autoridades municipais botaram metade do dinheiro para construção do novo estádio nacional, conhecido como Ninho de Pássaro. Um consórcio privado pagou o resto.

Em troca, as empresas privadas terão o direito de administrar o estádio por 30 anos. Após esse período, ele voltará para as mãos do governo.

Organizadores de Pequim 2008 estimam que gastarão US$ 2,1 bilhões com custos operacionais, como a cerimônia de abertura e os eventos esportivos.

Parte do dinheiro vem do Comitê Olímpico Internacional (COI), que recebe dinheiro da venda de patrocínio e direitos de televisão.

Além destes custos, a cidade gastou US$ 20,5 bilhões nos últimos 10 anos em projetos ambientais, segundo os organizadores.

Houve melhoras nos sistemas de água e esgoto e em projetos para limpar o poluído ar da cidade.

Pequim também gastou bilhões de dólares em novos projetos de infra-estrutura, como o novo terminal de aeroporto e mais linhas de metrô. Só o terminal de aeroporto em formato de dragão custou US$ 4 bilhões.

"Catalisador"

Os organizadores argumentam que muitos dos projetos não têm relação com as Olimpíadas e teriam sido realizados de qualquer forma.

"A preparação para os Jogos Olímpicos serviu como catalisador para Pequim", afirma o porta-voz do Bocog, Sun Weide. "Moradores de Pequim são os que mais vão se beneficiar".

Ao olhar-se o investimento final, é de se esperar que em qualquer outro país haveria polêmica em relação aos custos.

Em Londres, que sediará os Jogos de 2012, já existe grande polêmica em torno do alto investimento. As estimativas de custos operacionais e de infra-estrutura já ultrapassaram os US$ 11,3 bilhões.

Uma porta-voz dos organizadores das Olimpíadas de Londres admitiu que os custos "são um assunto que preocupa os contribuintes".

Falta de transparência

Mas na China, houve pouco debate sobre quanto se gasta nas Olimpíadas.

E isso em um país que, segundo dados de 2005 do Banco Mundial, existem mais de 135 milhões de pessoas vivendo com menos de US$ 1,25 por dia.

O professor de jornalismo Zhan Jiang, da faculdade de Ciências Políticas da Universidade da Juventude da China, disse que a falta de debate sobre os custos é causada em parte pela falta de informação.

"No momento, o governo chinês não é completamente aberto e transparente sobre como ele gasta seu dinheiro".

Houve algum debate sobre o custo das Olimpíadas, ele disse, mas isso ficou restrito a acadêmicos.

Nas ruas, as pessoas parecem ter pouca idéia de quanto as Olimpíadas estão custando - ou parecem não se importar.

O morador de Pequim Wang Na, de 26 anos, disse que não sabe quanto está sendo investido nos Jogos.

"Vale a pena investir, porque esta é uma oportunidade para o mundo compreender a China e para nós entretermos o mundo".

Outro residente da capital, Zhang Ke, de 30 anos, diz: "Nós não deveríamos avaliar as Olimpíadas olhando apenas para quanto elas custam".

O professor Zhan acredita que a atitude das pessoas em relação a gastos governamentais pode mudar no futuro. Ele diz que quanto mais as pessoas souberem sobre os gastos do governo, mais debate haverá sobre o dinheiro público.

Mas isso não deve acontecer antes dos Jogos Olímpicos que começam nesta semana.

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