O.J. Simpson pode pegar prisão perpétua por assalto, seqüestro e roubo

Washington, 4 out (EFE) - O ex-jogador de futebol americano O.J.

EFE |

Simpson, famoso por suas vitórias no esporte, suas participações no cinema e pelo julgamento pelo assassinato de sua ex-mulher do qual foi absolvido, pode pegar prisão perpétua após ser considerado culpado em Las Vegas de assalto, seqüestro e roubo à mão armada.

Simpson, de 61 anos, poderia passar o resto da vida na prisão juntamente com seu companheiro de golfe Clarence Stewart, de 54, também considerado culpado de 12 acusações de assalto à mão armada a dois vendedores de artigos esportivos de colecionador em Las Vegas em setembro de 2007.

Após três semanas de julgamento, no qual 20 testemunhas prestaram depoimento, o júri - composto de nove mulheres e três homens - emitiu seu veredicto por unanimidade.

A juíza Jackie Glass agora deve definir a condenação, que, apesar de inicialmente ter que sair em um prazo de 30 dias, será adiada para 5 de dezembro a pedido da defesa.

Simpson, que esteve tranqüilo durante todo o julgamento, se emocionou quando o veredicto foi lido.

O processo foi realizado 13 anos depois que Simpson foi absolvido do julgamento contra si em Los Angeles pelo assassinato da ex-mulher, Nicole Brown, e de um amigo dela, Ronald Goldman.

Aquele foi um dos julgamentos mais famosos na história dos Estados Unidos, pois abriu sérias dúvidas sobre o sistema policial e o racismo latente no país.

Além disso, colocou em questão a imparcialidade dos júris, e fez a sociedade tomar consciência das diferenças que persistiam entre negros e brancos (o acusado era negro e as duas vítimas, brancas).

O fator racial foi determinante no julgamento, já que o advogado de defesa destacou o comportamento racista do principal investigador do caso, a quem acusou de plantar provas contra seu cliente por ser um negro famoso.

O julgamento, exibido a todo o momento na televisão americana, se transformou em um espetáculo midiático, que ridicularizou o sistema de júri quando este, de maioria negra, absolveu o acusado.

Pesquisas de opinião da época indicaram que o caso Simpson tinha se tornado causa comum para muitos negros e tinha agravado as diferenças com os brancos, que, em sua maioria, consideravam o veredicto injusto e motivado pela solidariedade de raça.

Após o anúncio da sentença, o então presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, teve que pedir respeito ao sistema judiciário e fazer um apelo pela unidade da nação.

Mais tarde, Simpson foi considerado culpado em um julgamento civil, e isto, somado ao lançamento, no ano passado, do livro "If I Did It" ("Se eu tivesse feito", em tradução livre), no qual descreve de maneira fictícia como teria cometido os assassinatos, continuou causando dúvidas sobre se ele é realmente um assassino ou não.

Esse é um fantasma que, segundo o advogado de Simpson, Yale Galanter, influenciou esta sentença, que considera uma revanche do julgamento dos anos 1990, e já anunciou que apelará da sentença.

Há diferenças: Não havia negros no julgamento de Las Vegas; por outro lado, havia mais mulheres, e o caso Simpson também abriu um debate sobre violência doméstica, pois o ex-jogador supostamente agrediu várias vezes a ex-mulher.

"O veredicto não foi uma surpresa. Sabíamos o que aconteceria", disse Galanter, que afirmou que os membros do júri estavam predispostos a declarar Simpson culpado.

O caso pelo qual foi julgado desta vez é o roubo, juntamente com vários comparsas, de um vendedor de artigos esportivos que tinha objetos assinados por Simpson da época quando jogava na Liga Nacional de Futebol Americano (NFL, em inglês).

O vendedor, Bruce Fremong, reconheceu que tinha marcado um encontro com um comprador anônimo, Simpson, que disse que os artigos em questão pertenciam a ele.

Em seu depoimento, Freemong disse que Simpson começou a gritar: "Essa m... é toda minha! Tudo isso me pertence. Você me roubou.

Vamos pegar tudo e sair daqui".

Segundo a testemunha, um dos comparsas de Simpson apontou uma arma para o rosto de Freemong e gritou: "Vou atirar no seu c...".

Durante o julgamento, Freemong disse que o jogador foi até o hotel apenas para recuperar os pertences que tinham sido roubados dele e que não sabia que seus comparsas estavam armados.

Quatro das pessoas que acompanhavam Simpson - Charles Cashmore, Walter "Goldie" Alexander, Michael "Spencer" McClinton e Charles Ehrlich - se declararam culpados das suas acusações e concordaram em depor contra o ex-jogador de futebol americano.

Nos EUA, assalto à mão armada é punido com pena entre dois e 30 anos de prisão, e o seqüestro tem condenações que vão de cinco anos à prisão perpétua. EFE elv/wr/db

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