OIT prevê que desemprego no mundo subirá para 7% em 2010

(Embargada até as 21h de Brasília) Rafa Caballero Genebra, 26 jan (EFE).- A Organização Internacional do Trabalho (OIT) estima que a taxa mundial de desemprego pode chegar a 7% da população economicamente ativa em 2010 - contra 6,6% em 2009 -, deixando mais 16 milhões de pessoas sem emprego.

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Isso implica que o número de desempregados passará de 212 milhões contabilizados no ano passado a 228 milhões.

Assim consta do pior cenário previsto para 2010 no relatório "Tendências Mundiais do Emprego" apresentado hoje pela OIT e que aponta que em 2009 o maior aumento do desemprego se registrou nas economias desenvolvidas e na União Europeia (UE), onde a percentagem de desemprego passou de 6% em 2008 a 8,4% no ano passado.

Nessas economias, estima-se que o índice de desemprego termine este ano por volta de 8,9%, com 45 milhões de desempregados, 3 milhões a mais que em 2009. Já em outras regiões se espera que o nível atual se estabilize ou diminua ligeiramente.

Segundo a OIT, a menor taxa de desemprego deve ser a da Ásia.

O relatório, que não apresenta dados individuais sobre países, ressalta que a UE e o resto de economias desenvolvidas tiveram 40% do aumento do desemprego global, apesar de representar menos de 16% dos trabalhadores em nível mundial.

Para tais cálculos, a OIT se baseou nos dados de outubro passado sobre crescimento mundial do Fundo Monetário Internacional (FMI), que prevê uma alta do Produto Interno Bruto (PIB) mundial neste ano de 3,1%, diante da queda de 1,1% em 2009.

Desse modo, a crise econômica mundial poderia causar até 50 milhões de desempregados no período entre 2007 e fins de 2010.

Um dos responsáveis do relatório, Theodore Sparreboom, disse à Agência Efe que a redução do desemprego só virá em consequência do crescimento da economia, o que, em sua opinião, "ainda levará tempo".

Por categorias de idade, a taxa mundial de desemprego juvenil chegou em 2009 a 13,4%, com 82 milhões de jovens sem trabalho no mundo.

Isto significa uma alta de 1,6% em relação ao período antes da crise, em 2007, e a maior alta desde 1991, quando essa estatística começou a ser calculada globalmente.

Para Sparreboom, este aumento do desemprego juvenil durante a crise "não é desproporcional", pois o problema vem de antes e tem um "caráter estrutural".

A respeito disso, o diretor-geral da OIT, Juan Somavía, pediu que as medidas de recuperação econômica "apontem à criação de emprego para jovens".

"Devemos seguir a mesma decisão política para criar postos de trabalho que a medida aplicada para salvar os bancos", disse Somavía. Além disso, afirmou que isto é possível por meio de uma "forte convergência de políticas públicas e investimento privado".

Segundo o relatório desta organização, a produtividade mundial por trabalhador caiu 2,5% em 2009, frente ao aumento de 1,8% em 2008.

Além disso, mais da metade dos trabalhadores no mundo - 50,6% - tem empregos vulneráveis.

A taxa de população ativa mundial manteve-se em 2009 em 64,7%, similar à dos últimos cinco anos, com porcentagens que oscilam entre 51,5% no Oriente Médio até 73,1% no leste asiático. Nas economias desenvolvidas e na UE, esse número é de 60,5%. EFE rcb/sa

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