OIT diz que crise financeira custará 20 milhões de empregos

Por Jonathan Lynn GENEBRA (Reuters) - Até o final do próximo ano, 20 milhões de vagas de trabalho vão desaparecer em virtude do impacto da crise financeira sobre a economia global, afirmou nesta segunda-feira uma agência da Organização das Nações Unidas (ONU).

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Os setores da construção civil, imobiliário, de serviços financeiros e de veículos automotores serão provavelmente os mais prejudicados, disse uma estimativa da Organização Internacional do Trabalho (OIT) feita com base em projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI) para a economia mundial.

O desaparecimento de vagas de trabalho pode ser ainda maior se as projeções do FMI forem revistas para baixo, afirmou Juan Somavia, diretor-geral da OIT.

"Temos de falar sobre a crise financeira em termos do que acontece com as pessoas e do que acontece com os empregos e as empresas", disse Somavia a repórteres.

Segundo a autoridade, a OIT, que reúne governos, empregadores e trabalhadores, deseja direcionar as discussões em torno da crise financeira para a criação de empregos e outras medidas que incentivem a "economia real."

"Seria uma tragédia responder à crise das hipotecas subprime (de risco) com políticas subprime", afirmou.

A OIT ainda não mapeou geograficamente o desaparecimento das vagas de trabalho, algo que faria a taxa global de desemprego subir dos 190 milhões do final do ano passado para 210 milhões no final de 2009, superando pela primeira vez a casa dos 200 milhões.

No entanto, países com grandes mercados domésticos que não dependem muito das exportações teriam condições melhores de enfrentar a crise, disse Somavia. O diretor- geral da OIT citou como exemplo a China, cujas exportações respondem por apenas 11 por cento da economia.

Segundo Somavia, era preocupante o fato de a taxa mundial de desemprego ter ficado praticamente inalterada apesar do forte crescimento econômico verificado entre 2002 e 2007. O chefe da OIT viaja para Nova York, nesta semana, a fim de participar de encontros com os diretores de outras agências da ONU. Essas reuniões serão presididas pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.

Somavia disse que recursos deveriam ser injetados na economia para evitar ou amainar a recessão, principalmente em setor com altos índices de uso de mão-de-obra, como as pequenas empresas. O setor financeiro deveria limitar-se novamente a sua função básica, a de realizar empréstimos para os empreendedores, disse o diretor-geral da OIT.

Somavia, um advogado e diplomata chileno, afirmou que a fatia do setor financeiro nos lucros de empresas norte-americanas havia aumentado de 5 por cento em 1980 para 41 por cento no ano passado. Como resultado, os bancos passaram a optar por investir em transações financeiras ao invés de realizar empréstimos para setores produtivos.

"Então, esse sistema começou a desviar recursos do processo da economia real", afirmou.

E as empresas não-financeiras de capital aberto viram-se sob pressão para auferir o mesmo faturamento do setor financeiro, o que as obrigou a cortar custos -- geralmente congelando o aumento dos salários ou demitindo funcionários -- ao invés de realizar investimentos de longo prazo.

"De um ponto de vista, isso é chamado de aumento de produtividade. De um ponto de vista mais profundo, isso significa transformar os trabalhadores em commodities," disse.

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