OIT defende o diálogo contra a recessão social

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) fez um apelo nesta terça-feira à Europa para que desempenhe um papel maior ante a crise econômica internacional e a recessão social decorrente, e defendeu o modelo social europeu baseado no diálogo.

AFP |

"Diante de uma crise que pode colocar mais de 50 milhões de pessoas no desemprego, a Europa deve desempenhar um papel maior", disse o diretor-geral da OIT, Juan Somavia, na 8ª reunião européia da OIT, realizada durante quatro dias em Lisboa.

"Enquanto a globalização neoliberal não existe mais, o modelo social europeu ficou", destacou, insistindo sobre a necessidade de um diálogo reforçado entre "governos, trabalhadores e patrões para colocar o trabalho decente no coração de nossa resposta à crise".

"O tempo de recriminações passou. O essencial é gerar um consenso. Precisamos adotar um diálogo para agir de forma mais adequada e aliviar o impacto da crise", acrescentou, garantindo que "se os trabalhadores têm a impressão de não serem ouvidos, eles devem ir às ruas".

"Os trabalhadores devem estar no centro das decisões dos governos", insistiu.

Somavia lamentou a falta de coordenação nas respostas á crise e defendeu a criação de um conselho econômico e social son a égide da ONU, uma ideia já existente há anos.

"A crise demonstrou que havia um vazio institucional", destacou.

"O modelo social europeu deve influenciar a nova ordem econômica e financeira, um novo sistema de regulação que proteja o mundo do que aconteceu", reforçou por sua vez o primeiro-ministro socialista português, José Socrates, aos delegados de 51 países da Europa e da Ásia central que participam do encontro.

Socrates também disse que os países devem evitar a armadilha do protecionismo, que representaria um passo atrás para o mundo. "O caminho não passa pelo protecionismo ou pela redução dos direitos sociais. Devemos renovar a regulação econômica nacional, europeia e mundial", insistiu.

"Eu sei que é um caminho difícil, mas é por este caminho que seremos capazes de garantir a paz civil em nossas sociedades", advertiu.

A 8ª reunião regional europeia da OIT reúne representantes de governos, trabalhadores e empregadores da Europa e da Ásia central.

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