OIM pede que países abram portas aos imigrantes em tempo de crise

Genebra, 17 dez (EFE).- Os países devem resistir à tentação de fechar suas portas aos imigrantes nestes tempos de crise financeira e econômica, afirmou hoje a Organização Internacional de Migrações (OIM).

EFE |

Ao comemorar o Dia Internacional do Migrante, o diretor-geral dessa organização, William Lacy, sustentou que "seria contraproducente que os Governos de países desenvolvidos fechassem suas portas aos migrantes".

Ele ressaltou que "muitos seguem sendo necessários em empregos que os cidadãos desses países não desejam ou são incapazes de fazer".

O assessor especial da OIM para as Américas, Diego Beltrand, disse à agência Efe que essa posição é "realista porque os países desenvolvidos continuarão precisando dos imigrantes, entre outros motivos devido a sua estrutura demográfica".

Segundo os dados do organismo, esses países experimentarão em 2050 uma grande escassez de mão-de-obra devido às baixas taxas de natalidade e ao envelhecimento da população em idade economicamente ativa.

Calcula-se que, então, haverá o dobro de pessoas de 60 anos do que de crianças.

Beltrand afirmou que, apesar das dificuldades das economias desenvolvidas, em muitos países se manterá o interesse por emigrar, embora as oportunidades sejam menores pela contração de setores que tradicionalmente empregam mão-de-obra imigrante: construção, agricultura e serviços.

Ele considerou que é mais provável manter a demanda -ou vê-la menos afetada - em áreas como saúde e cuidado de idosos.

No entanto, ressaltou que estas previsões podem mudar dependendo "do tempo que dure a crise", pois também é possível que em países ricos os trabalhadores "voltem a tomar em consideração opções de emprego que tinham abandonado totalmente".

Sobre o impacto da crise financeira nas remessas para a América Latina, o da OIM disse ser muito previsível que elas caiam embora, por enquanto, o México seja o único país onde isto se confirmou oficialmente.

"Em outros lugares, talvez não diminuam, mas, em todo caso, não aumentarão. Além disso, é seguro que os imigrantes enviarão menos dinheiro para despesas de investimento, como compra de casas, e privilegiarão os de educação e de saúde".

As remessas são uma fonte fundamental de receita para grande parte de países latino-americanos: é a primeira em El Salvador, a segunda na Colômbia e Equador, e em outros países se encontra entre quarto e quinto lugar.

Na Europa os grupos relativamente recentes de imigrantes latino-americanos são os bolivianos, colombianos, equatorianos e brasileiros.

Seus principais destinos são Espanha, Itália, Reino Unido e França, precisou Beltrand. EFE is/jp

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