Ofuscada por Egito, tensão entre Israel e palestinos aumenta

Real ameaça do momento não é o Irã, mas a ocupação dos territórios palestinos por Israel, diz dirigente da "Palestina legal"

Nahum Sirotsky, em Tel Aviv |

Com o mundo naturalmente concentrado no que ocorre no Egito, o complicado conflito israelo-palestino anda meio esquecido. Mas nos dias em que ocorriam os confrontos na praça Tahrir, no Cairo, cresciam as possibilidades de uma escalada de violência no debate entre israelenses e palestinos.

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Líderes de Hamas e Fatah durante encontro, em agosto
À margem da conferência de segurança que se realizou em Munique, na Alemanha, o Quarteto (Estados Unidos, Rússia, União Européia e Nações Unidas) reuniu-se para procurar meios de fazer palestinos e israelenses voltarem às negociações de paz. Não chegaram a conclusão alguma no caso, e se comprometeram a uma nova reunião em março.

A intenção é que cada um do grupo converse separadamente com palestinos e israelenses para pedir que as negociações sejam retomadas. Desde setembro do ano passado os americanos tentam o mesmo sem sucesso.

O chefe dos negociadores palestinos, Saeb Erekat, afirmou que estava decepcionado por não ter sido acolhida sua ideia de reconhecimento de um Estado palestino declarado de forma unilateral dentro das fronteiras de 1967, como Brasil e outros países latino-americanos, e dezenas de outros, já fizeram. Erekat disse que em vez de aceitar o que ele propunha, o Quarteto continua insistindo em uma solução negociada.

A posição do Quarteto foi definida na seguinte frase: "Qualquer ação unilateral, de qualquer um dos lados, pode prejulgar os resultados de negociações, e não serão reconhecidas pela comunidade internacional".

Erekat declarou que o reconhecimento do Estado palestino era uma expectativa, inclusive com Jerusalém oriental como sua capital. Esperava ainda que o Quarteto forçasse os israelenses a suspender todas as atividades de construção nos territórios ocupados da Cisjordânia. Mas a posição do Quarteto, prevê Erekat, tende a se "traduzir num impulso da região no sentido da violência, anarquia, extremismo e derramamento de sangue".

O dirigente da chamada "Palestina legal", Abu Mazen, diz que o Ocidente não compreende nada e que a real ameaça do momento não é o Irã, mas a ocupação dos territórios palestinos por Israel.

O Quarteto conclamou ambos os lados a chegarem a um acordo de paz por meios pacíficos até setembro. Os Quatro planejam contatos com israelenses e palestinos para que voltem a negociar durante o mês de março.

Como é sabido, a Conferência de Segurança que se realizou em Munique, no fim de semana, foi instituída na época da Guerra Fria como parte do esquema da defesa da União Soviética pela OTAN, a Organização do Tratado do Atlântico Norte. A OTAN continua ativa até hoje.E a Russia, herdeira da URSS, participa das reuniões. A de Munique foi dominada pela questão do Egito.

Mas a representante da Europa para Assuntos Internacionais, Catherine Ashton, insistiu nos debates que a crise egípcia não permitisse o esquecimento do objetivo de promover a paz e a estabilidade do Oriente Médio. E que parte essencial é a questão israelo-palestina – um fator importante na instabilidade de toda a região.

Em plena crise egipcia o presidente da Autoridade Palestina, Abu Mazen, convidou o Hamas, Frente Palestina de Resistência Islâmica, que domina a Faixa de Gaza, para conversações sobre eleições em toda a área palestina. O Hamas respondeu que só conversa depois que se chegue a um acordo final sobre a reconciliação entre eles, algo que, de passagem, vinha sendo promovido pelo governo Mubarak, no Egito. O “divorcio” entre Abu Mazen, do Fatah, e o Hamas complica as negociações de paz entre Israel e os palestinos. Um terço da população palestina vive em Gaza, em um mundo a parte.

Nas ultimas eleições gerais palestinas o Hamas obteve maioria absoluta, que o Fatah não aceitou. Daí de fato existirem uma Palestina secular, a de Abu Mazen, e teocrática, orientada pelas leis religiosas do Islã. Israel nem como hipótese aceita uma Cisjordania sob o comando do Hamas, cujo programa inclui a destruição do Estado judeu. Abu Mazen tem razão: o Ocidente não entende o Oriente Médio.

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