Oficial admite morte de ao menos 6 iraquianos sob custódia do R.Undio

Londres, 17 mar (EFE).- Pelo menos seis iraquianos morreram quando estavam sob custódia do Reino Unido nos dois primeiros meses da invasão ao Iraque, declarou um tenente-coronel das tropas britânicas à edição de hoje do jornal The Times.

EFE |

O oficial Nicholas Mercer, ex-encarregado dos detidos no conflito no país árabe, revelou à Justiça de Londres que faltavam militares para cuidar dos iraquianos presos.

Segundo Mercer, o comando britânico não considerava prioritário esse tipo de serviço, estipulado pela Convenção de Genebra mas visto como uma obrigação inconveniente.

Mercer explicou a um tribunal que investiga a morte do recepcionista de hotel Baha Moussa após 36 horas em poder dos britânicos que, se um juiz e um órgão independente tivessem sido encarregados de supervisionar o tratamento aos presos iraquianos, vários casos de maus-tratos teriam sido evitados.

De acordo com o tenente-coronel, o procurador-geral do Reino Unido, Lorde Goldsmith, foi quem vetou essas nomeações.

"Embora o Reino Unido diga levar a sério as obrigações (previstas) na Convenção de Genebra, essa não é minha experiência", disse o oficial britânico, que trabalhou como assessor legal da 1ª Divisão da Marinha britânica durante a invasão ao Iraque.

O coronel Mercer disse ter visto cerca de 30 ou 40 iraquianos encapuzados e amarrados enquanto eram mantidos sob custódia dos britânicos. Ele afirmou ainda que manifestou sua preocupação aos seus superiores na cadeia de comando.

A Cruz Vermelha também expressou suas reservas em relação ao tratamento que os militares britânicos dispensavam aos iraquianos presos, acrescentou Mercer, segundo quem, em uma reunião com membros da organização humanitária, alguns oficiais tentaram explicar porque os prisioneiros eram encapuzados, algo que violava as leis britânicas.

Mercer destacou que foi impedido de falar durante essa reunião e que se sentiu tão incomodado com as tentativas dos militares britânicos de justificar suas condutas que, em determinado momento, deixou a sala para respirar ar fresco.

Embora os militares tenham sido impedidos de encapuzar os detidos em abril de 2003, o tenente-coronel ressaltou que outras práticas foram adotadas para privar os presos do sentido da visão.

No mês seguinte, investigadores comunicaram ele de cinco ou seis mortes de detidos sob custódia do Reino Unido que deveriam ser apuradas e de uma outra que já estava sob investigação. EFE jr/sc

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