Oficiais dos EUA afirmam que Irã não possui urânio para fabricar bomba

O diretor de Inteligência Nacional dos EUA, Dennis Blair, afirmou nesta terça-feira que o Irã não possui urânio enriquecido para a produção de armas nucleares, contradizendo informações anteriormente divulgadas por comandantes militares de Washington e Israel. Em uma audiência no Comitê de Serviços Armados do Senado americano, Blair afirmou que Teerã só possui urânio com baixos níveis de enriquecimento, e que o material ainda precisaria ser processado para ser usado em armamentos.

BBC Brasil |

"Nós avaliamos no momento que o Irã não possui urânio enriquecido", afirmou Blair.

Segundo ele, o governo iraniano "ainda não tomou a decisão" de processar este material.

Blair ainda afirmou que, embora analistas concordem que o Irã possua uma certa quantidade de urânio, o processo de enriquecimento do material para a produção de armas envolveria uma tecnologia que o governo do país provavelmente não tem.

As declarações de Blair ao Senado foram feitas uma semana depois que um outro alto funcionário dos EUA, o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, almirante Mike Mulllen, ter afirmado que o Irã teria material suficiente para a produção de uma bomba.

Leia também na BBC Brasil: Comandante dos EUA diz que Irã tem material para fabricar bomba nuclear
Também no início desta semana, o chefe da Inteligência militar de Israel, Amos Yadlin, afirmou que o Irã teria "superado a limitação tecnológica" e agora seria capaz de produzir uma arma nuclear.

Durante a audiência no Senado, Blair afirmou que os oficiais da Inteligência de Israel, no entanto, estariam trabalhando com o que ele chamou "de o pior cenário possível".

Testemunhando no Comitê do Senado antes de Blair, o diretor da Agência de Inteligência de Defesa, general Michael Maples, afirmou que Israel estaria trabalhando com as mesmas informações que os EUA, mas teria chegado a conclusões diferentes.

"Os israelenses estão muito mais preocupados com a questão", disse Maples.

O governo iraniano insiste que seu programa nuclear tem fins pacíficos, mas países ocidentais suspeitam que Teerã esteja trabalhando na produção de armas nucleares.

Segundo o correspondente da BBC em Washington, Kevin Connolly, a posição dos dois oficiais parece refletir o desejo do governo do presidente Barack Obama de lidar com a questão do Irã por meio da diplomacia.

Também durante a audiência no Senado, Dennis Blair afirmou que a rede extremista Al-Qaeda está mais frágil agora do que há um ano, graças à pressão feita sobre bases dos militantes no Paquistão.

Segundo ele, os ataques aéreos e as incursões feitas por militares americanos e de países aliados em áreas tribais do Paquistão próximas à fronteira com o Afeganistão teriam matado vários líderes da Al-Qaeda.

Isto, junto com a diminuição do apoio ao grupo em meios aos muçulmanos, teria feito a Al-Qaeda menos capaz de lançar ataques.

O correspondente de segurança da BBC, Frank Gardner, no entanto, afirma que analistas suspeitam que a inteligência americana esteja subestimando os efeitos dos últimos conflitos em Gaza, que podem radicalizar as posições do grupo.

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