Oferta de Uribe a guerrilheiros causa polêmica na Colômbia

BOGOTÁ (Reuters) - Uma oferta do presidente colombiano, Alvaro Uribe, para libertar e pagar recompensas a guerrilheiros desertores, mesmo que tenham se envolvido em crimes graves, gerou polêmica devido à suposta violação da lei. A legislação colombiana proíbe anistias e indultos para pessoas envolvidas em crimes hediondos como sequestros, assassinatos, massacres ou genocídios.

Reuters |

Mas Uribe, em uma nova tentativa de incentivar as deserções de guerrilheiros com pessoas sequestradas, se comprometeu a pagar recompensas e a providenciar a liberdade dos rebeldes que atendam ao seu chamado, embora tenham cometido estes crimes.

"Estamos no processo de negociação permanente da lei ... de considerar que o cumprimento da lei é incompatível com a manutenção da paz pública", disse o ex-promotor Alfonso Gómez.

"Todos nós, colombianos, queremos que seja feito o possível para recuperar, que voltem os sequestrados, mas há mecanismos na lei. Quando uma pessoa devolve voluntariamente, a pena é reduzida consideravelmente", explicou.

Gómez disse que a recente saída do guerrilheiro das Farc Wilson Bueno para a França, a quem o governo pagou uma recompensa e a Promotoria rapidamente arquivou todos os processos penais, passa uma mensagem errada de que o crime compensa.

"Até que ponto devemos sacrificar permanentemente o cumprimento da lei com o argumento de conseguir a paz?", questionou Oscar Tulio Lizcano, ex-congressista especialista em temas judiciais.

O promotor Mario Iguarán considerou que a proposta do presidente não é viável.

Já León Valencia, que fez parte da Corrente da Renovação Socialista, um dissidência do Exército da Libertação Nacional, tem uma visão diferente. Ele se reintegrou à vida civil depois de um acordo de paz com o governo na década de 1990. Valencia afirmou que vários de seus antigos companheiros de luta ainda estão presos porque não foram indultados por delitos atrozes.

Valencia, que hoje é analista e colunista, acha que a proposta de Uribe não é um sinal de paz, mas sim de guerra, pois quer desmantelar as Farc.

O grupo mantém 28 reféns por motivos políticos e quer um acordo com o Governo para trocá-los por milhões de rebeldes presos.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG