Ofensiva terrestre de Israel em Gaza eleva a 500 o número de palestinos mortos

A ofensiva militar de Israel matou pelo menos 500 palestinos em nove dias na Faixa de Gaza, onde os tanques do exército hebreu tomaram o controle, neste domingo, de vários eixos estratégicos, com as tropas enfrentando em alguns pontos os combatentes do movimento islamita Hamas.

AFP |

"O número de mártires chegou a pelo menos 500, entre eles 87 crianças, e o de feridos soma mais de 2.450", declarou à AFP o chefe do serviço de emergência de Gaza, o médico Muawiya Hasenein. "O número de mortos poderá ser bem maior, porque há um certo número de mártires e de feridos nas ruas que não pudemos retirar", acrescentou.

As tropas israelenses, apoiadas pela artilharia e bombardeios, se adentraram em profundidade em vários setores da Faixa, onde chegaram sábado à noite depois de uma semana de ataques aéreos.

Até o momento, foram registrados combates na altura de Jabaliya, norte do território, e no bairro de Zeitun, a leste da cidade de Gaza.

Segundo anúncio oficial, um soldado israelense morreu e 30 ficaram feridos na ofensiva terrestre.

Neste domingo morreram na Faixa de Gaza pelo menos 47 palestinos, 22 deles civis. Entre os falecidos figuram cinco membros de uma mesma família, entre eles uma menina de 14 anos; o carro em que viajavam perto da cidade de Gaza foi impactado por um disparo de um tanque israelense, segundo fontes médicas palestinas.

De acordo com testemunhas, cerca de 50 tanques e blindados e unidades de infantaria tomaram posição perto da antiga colônia judaica de Netzarim, 3 km ao sul da cidade de Gaza.

Dezenas de famílias se amontoaram em caminhões e fugiram em direção ao sul.

Apesar da presença das tropas israelenses no terreno, grupos armados palestinos atiraram desde a noite de sábado 32 foguetes e obuses de morteiro contra Israel, ferindo levemente uma mulher, informou um porta-voz militar israelense.

A ofensiva militar israelense iniciada a 27 de dezembro com bombardeios degradou fortemente uma situação humanitária já precária na Faixa de Gaza, onde vivem 1,5 milhão de pessoas. A eletricidade amanheceu interrompida neste domingo na maioria das cidades, e a falta de combustível se agrava.

Na cidade de Gaza, sobrevoada por aviões israelenses, o comércio e as sedes do serviço público permanecem fechados.

As ruas estão praticamente vazias, excetuando-se as filas diante das padarias, em previsão de um assédio prolongado.

"Trememos como crianças", confessa Yehia Anis Husein, do bairro de Zeitun. "Antes desta ofensiva, era o bloqueio que nos matava. É uma situação insuportável", acrescenta.

O Programa Mundial de Alimentos (PMA) denunciou uma situação alimentar das "mais precárias" em Gaza.

Um militar israelense de alto escalão disse que não há combates corpo a corpo.

"É possível que tenhamos que manter durante certo tempo o controle de alguns setores, de onde são lançados foguetes, mas nosso objetivo não é a reocupar a Faixa de Gaza", acrescentou, pedindo para não ter o nome divulgado.

Um alto comando do Hamas, Mushir al Masri, afirmou que "o inimigo" não "conseguiu alcançar seus objetivos", e que "a resistência, com os poucos meios de que dispõe, o surpreende". "Chegado o momento, o inimigo anunciará seu fracasso e a resistência proclamará a vitória", acrescentou.

O Hamas qualificou neste domingo de "farsa" a incapacidade do Conselho de Segurança da ONU de chegar a um consenso, depois de quatro horas de discussões sábado, elaborando um texto que fizesse apelo ao fim da violência na Faixa de Gaza; e isso aconteceu, essencialmente, pela oposição dos Estados Unidos.

Em Londres, o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, disse domingo que o conflito estava "num momento muito perigoso".

A Comissão Européia pediu a Israel a criação de um "corredor humanitário" para poder distribuir melhor a ajuda, ao mesmo tempo em que anunciou um auxílio suplementar de três milhões de euros para Gaza.

No entanto, nenhum comboio de encaminhamento da ajuda tinha previsto entrar neste domingo em Gaza por causa dos combates.

O Papa Bento XVI lamentou "as notícias dramáticas que chegam de Gaza", deplorando que "a rejeição ao diálogo" tenha conduzido a situações "que afetam de maneira indizível a população, vítima, novamente, do ódio e da guerra".

O pontífice também fez um apelo aos líderes "dos lados israelense e palestino" por uma "ação imediata para pôr fim à trágica situação atual" na Faixa de Gaza, após a oração do Angelus na praça de São Pedro.

"A guerra e o ódio não são a solução para os problemas", afirmou o Papa.

"Hoje, em todas as igrejas da Terra Santa", os patriarcas e os sacerdotes das igrejas cristãs "pedem aos fiéis que rezem pelo fim do conflito na Faixa de Gaza e implorem por justiça e paz em sua terra. Me uno às suas orações e os convido a fazer o mesmo", disse.

Na noite deste domingo, uma delegação da União Européia inicia uma turnê pelo Oriente Médio para tentar um cessar-fogo.

A delegação, dirigida pelo ministro tcheco das Relações Exteriores, Karel Schwarzenberg, pediu, antes de partir, o fim dos combates em Gaza.

O presidente francês Nicolas Sarkozy viajará também segunda-feira ao Oriente Médio.

O presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas, que recebe Sarkozy amanhã em Ramallah, na Cisjordânia, disse neste domingo que vai pedir a ele para "pressionar Israel" para que ponha fim à "agressão brutal" em Gaza.

A Rússia se disse "extremamente preocupada" com a ofensiva terrestre, anunciando, também, o envio de um emissário à região.

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