Ofensiva russa na Ossétia do Sul visa mais à Geórgia do que ao Ocidente

A ofensiva russa na Ossétia do Sul representa mais uma advertência para a Geórgia por causa de sua arriscada operação militar em território osseta do que um gesto de advertência de Moscou em relação aos ocidentais e uma propaganda de seu renovado poderio bélico, segundo os analistas políticos.

AFP |

"O fato de que as tropas russas estejam na Ossétia do Sul é claramente uma resposta à decisão georgiana de tentar tomar o controle da província", afirmou Jeffrey Mankoff, do Conselho de Relações Exteriores (CFR).

"O presidente georgiano Mikhail Saakashvili tomou uma decisão muito arriscada de lançar (durante a madrugada de sexta-feira) uma ofensiva militar contra a região da Ossétia do Sul, apoiada por Moscou. "Foi muito irracional fazer isso porque não acho que os ocdientais vão ao seu resgate", considerou Mankoff.

Dessa opinião compartilha Stephen Larrabee, da Rand Corporation, para quem Moscou quis "dar uma pequena lição aos georgianos, e também mostrar que, além de terem interesses na região, têm a intenção de defendê-los". "Eles não permitirão que a Geórgia tome este tipo de medidas sem repercussões", acrescentou.

Moscou respondeu à situação com o envio, na sexta, de importantes reforços para suas tropas de "manutenção de paz" a Tsjinvali, a capital da Ossétia do Sul, e a Geórgia lançou um apelo à comunidade internacional para que impeça "uma agressão militar direta" da Rússia em seu território.

Para os especialistas, o apoio da Rússia aos ossetas não é um gesto inocente. Efetivamente, Moscou concedeu a nacionalidade russa a todos os ossetas que a pedirm, o que hoje serve de bom argumento para que possa "defender seus compatriotas", destacou Stephen Larrabee.

Por outro lado, enquanto durar o conflito osseta, a Géorgia não poderá integrar a Otan porque os estatutos da aliança prevêem que seus países membros devem exercer sua soberania no conjunto de seu território, acrescentou Jeffrey Mankoff.

"É por isso que a Rússia tem interesse em impedir a resolução dos conflitos separatistas", elucidou.

Mas os especialistas não percebem a firmeza da resposta da Rússia como uma vontade de se firmar frente aos ocidentais pelo projeto americano do escudo antimísseis, a aproximação da Otan com a integração da Ucrânia ou da Geórgia, ou os projetos de oleoduto entre o Azerbaijão e a Turquia destinado a evitar o território russo.

"Eu não iria tão longe", afirma Steven Pifer, do Instituto Brooking. "Isso pode fazer parte da reação russa natural, mas creio que o fator principal é que os russos não esperavam que os georgianos enfrentassem este assunto com meios militares".

A Rússia tem interesse que a Geórgia fique "um pouco desestabilizada", comenta um ex-embaixador dos Estados Unidos na Ucrânia. "Mas a envergadura da operação militar georgiana foi tamanha que provocou uma reação russa", acrescentou. "Os georgianos deveriam prever que os russos iam responder".

Todos os analistas concordam que a aposta de Saakashvili foi muito arriscada. "O Ocidente não vai se meter numa guerra por ele, principalmente contra os russo", aponta Jeffrey Mankoff.

Os Estados Unidos e a União Européia fizeram um apelo imediato para o cessar-fogo na Ossétia do Sul e anunciaram o envio de uma delegação conjunta para tentar conseguir a interrupção das hostilidades.

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