Misha Vignanski Tbilisi/Moscou, 10 ago (EFE).- As tropas georgianas saíram de Tskhinvali hoje pressionadas pela ofensiva militar russa, que destruiu, durante a noite de sábado, parte da cidade, que é capital da Ossétia do Sul.

Há pouco, o Ministério de Assuntos Exteriores da Geórgia entregou à Embaixada da Rússia uma nota na qual anuncia o fim, a partir de hoje, das operações militares na Ossétia do Sul.

"Reagrupamo-nos e ocupamos posições nos acessos de Tskhinvali, tendo visto o aumento da agressão por parte da Rússia", declarou Aleksander Lomaya, secretário do Conselho Nacional de Segurança, em discurso pela rádio e televisão nacionais.

"Durante a noite, a Rússia transferiu (para a Ossétia do Sul) dezenas de carros de combate, artilharia e até foguetes táticos, e grande quantidade de infantaria", disse.

Enquanto isso, a aviação russa bombardeava as posições georgianas na capital.

Um tenente georgiano ferido em Tskhinvali disse à Agência Efe que "não resta nada ao qual se apoiar" na cidade para fazer frente aos tanques russos.

Segundo o comando das forças separatistas da Ossétia do Sul - que até a retirada georgiana garantiu que controlava "plenamente" a capital e a defendia dos inimigos -, durante o combate noturno, que durou quase cinco horas, foram destruídos 12 carros de combate georgianos e um de seus aviões foi derrubado.

Também reconheceu a "destruição quase total de Tskhinvali", embora tenha responsabilizado a artilharia georgiana por isso.

Os combates na Ossétia do Sul contam com a participação das forças do Exército russo, destacado no Cáucaso Norte e treinado para combater em regiões montanhosas, assim como a elite dos pára-quedistas russos.

Durante a noite, o subchefe do 58º destacamento do Exército russo, general Anatoli Khruliov, ficou ferido e teve de ser retirado de helicóptero durante um bombardeio georgiano da coluna motorizada russa na qual viajava.

"Repetiram sua tática de Grozni (capital da Chechênia): se não podem tomar a cidade, a destroem", disse o tenente georgiano.

Espalhadas por todos os lugares, as tropas georgianas seguem atentas a qualquer movimento entre os escombros, disse o comando russo.

Nestas condições, as partes parecem estar preocupadas com a população civil, que sobrevive nos porões, e cada uma se diz responsável pelos contatos - embora sem resultados - para abrir corredores humanitários por onde retirar tanto pessoas da Ossétia do Sul quanto georgianos.

Ao longo do dia, e mesmo com as pressões internacionais, continuaram os bombardeios russos em todo o território da Geórgia, desta vez incluindo a capital, Tbilisi, onde a pista de decolagem da fábrica de aviões foi atacada.

Segundo o comando russo, sua aviação só ataca alvos militares, entre os quais figuram também os "lugares de concentração de reservistas", normalmente localizados no centro dos povoados.

As bombas também caíram sobre o porto de Poti e regiões do distrito de Zugdidi, que faz fronteira com a Abkházia.

Para aproveitar a situação, as tropas da Abkházia, apoiadas por terra, céu e mar pelas forças russas, tentam conquistar o desfiladeiro de Kodori, uma área habitada por georgianos que ocupa 15% do território da região.

Na outra fronteira comum, ao longo do rio Inguri, as tropas da Abkházia entraram na área de segurança, controlada pelos capacetes azuis russos.

A frota russa do Mar Negro - que fechou a passagem para a costa da Abkházia a vários navios georgianos e ameaça impor bloqueio naval - também se somou hoje às operações contra a Geórgia.

A Ucrânia, em cujo porto de Sebastopol a frota russa tem sua base, causou uma desagradável surpresa ao advertir que qualquer embarcação que participar do conflito será proibida de voltar.

Diante dessa situação e após um pedido da Geórgia, o Conselho de Segurança da ONU tentará hoje novamente, pela quarta vez em três dias, chegar a um acordo sobre o conflito na região.

"A situação muda a cada minuto, por isso, decidimos propor novas consultas", disseram à Agência Efe fontes diplomáticas georgianas, depois que o principal órgão das Nações Unidas reconheceu no sábado à noite que é incapaz de pedir conjuntamente o cessar-fogo. EFE mb/fh

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.