Ofensiva israelense prossegue, mas líder do Hamas promete vitória contra Israel

O líder mais influente do Hamas em Gaza, Mahmud al-Zahar, prometeu nesta segunda-feira a vitória do movimento radical islâmico palestino contra Israel, enquanto o ministro israelense da Defesa, Ehud Barak, afirmou que a cidade de Gaza está parcialmente cercada, no terceiro dia da ofensiva terrestre israelense.

AFP |

"A vitória está chegando, com a graça de Deus", afirmou Zahar em um discurso lido no canal de televisão do Hamas, Al-Aqsa, o primeiro dele desde o início da ofensiva em larga escala de Israel em Gaza, no dia 27 de dezembro.

O braço militar do Hamas, as Brigadas Ezzedine al-Qassam, "deram os mais belos exemplos de confronto com um exército que o mundo acredita ser invencível. Vamos vencer com a graça de Deus", insistiu em um discurso transmitido pela televisão do Hamas, a Al-Aqsa.

Um total de 14 palestinos, incluindo cinco crianças, morreram nesta segunda-feira em bombardeios e disparos israelenses, no 10º dia da ofensiva israelense na Faixa de Gaza, informou uma fonte médica palestina.

Cinco crianças, cujas idades não foram reveladas, faleceram em bombardeios de tanques israelenses no bairro de Zeitun, leste de Gaza, e da Marinha israelense contra o campo de refugiados de Chati, na zona oeste da cidade, segundo o diretor dos serviços de emergências palestinos, Muawiya Hasanein.

Outras nove pessoas, cujas identidades não foram divulgadas, morreram nas cidades de Beit Hanun e Beit Lahya (norte).

A aviação de Israel atacou mais de 30 objetivos na Faixa de Gaza na madrugada desta segunda-feira, informou uma porta-voz militar em Tel-Aviv.

"Nossas forças aéreas atacaram 30 objetivos na Faixa de Gaza na madrugada passada", afirmou à AFP a porta-voz.

"A aviação atacou especialmente uma mesquita em Jabaliyah, onde armas eram escondidas, assim como casas onde também eram armazenadas armas, veículos que transportavam lança-foguetes e homens armados", acrescentou a porta-voz.

"As forças terrestres continuaram seu avanço, apoiadas pelos bombardeios de navios da Marinha".

O Exército israelense iniciou no sábado à noite uma ofensiva terrestre, entrando na Faixa de Gaza controlada pelo movimento radical Hamas.

Desde o início da ação, um soldado israelense morreu e 45 ficaram feridos, três deles em estado grave.

Segundo testemunhas, os navios israelenses também bombardearam as principais avenidas do território palestino. Os militares hebreus dividiram em duas a cidade de Gaza.

As tropas israelenses assumiram posições na antiga colônia de Netzarim pela primeira vez desde a retirada de Israel da Faixa de Gaza em 2005. Na região norte, as tropas israelenses avançaram até o campo de Jabaliyah.

Ehud Barak, ministro da Defesa de Israel, declarou na comissão de Relações Exteriores e Defesa do Parlamento israelense, que excepcionalmente não se reuniu a portas fechadas, que Gaza está parcialmente cercada.

As declarações do ministro da Defesa confirmam as descrições de testemunhas, segundo as quais os carros blindados israelenses se encontram no sul, norte e leste da cidade de Gaza.

"Atingimos duramente o Hamas, mas ainda não alcançamos todos os objetivos que fixamos e a operação continua", acrescentou.

"Fazemos tudo que um Estado deve fazer para defender seus cidadãos. Queremos que os ataques contra nossos cidadãos e nossos soldados parem", afirmou ainda, precisando que o reabastecimento de armas do movimento islamita deve cessar.

A operação de Israel já matou pelo menos 517 palestinos na Faixa de Gaza, onde os tanques israelenses assumiram no domingo o controle de vários eixos estratégicos, enfrentando em alguns pontos os combatentes do Hamas.

A guerra provocou uma importante degradação da situação humanitária por si só já precária na região de 362 km2, onde vivem 1,5 milhões de pessoas.

A energia elétrica foi cortada na miaor parte e se agrava a carência de combustível. A maioria das lojas está fechada e falta comida nos poucos estabelecimentos ainda abertos.

Um comboio de ajuda humanitária internacional entrou na manhã desta segunda-feira na Faixa de Gaza a partir de Israel, segundo o porta-voz do coordenador de atividades israelenses nos territórios palestinos, Peter Lerner.

A ajuda - medicamentos e produtos básicos - procede da Grécia, Jordânia, Egito, de empresas privadas e de organizações humanitárias internacionais, em particular a Agência das Nações Unidas de Ajuda aos Refugiados Palestinos (UNRWA), segundo Lerner.

O porta-voz acrescentou que o terminal de Nahal Oz foi aberto para permitir o envio de 200.000 litros de combustível, destinado principalmente a uma central de energia elétrica de Gaza, assim como 120 toneladas diárias de gás doméstico.

Lerner disse ainda que 200 palestinos com outras nacionalidades - noruegueses, alemães, filipinos, poloneses, romenos, austríacos, espanhóis, franceses e canadenses - serão autorizados a sair da Faixa de Gaza pela passagem de Erez.

Por fim, o diretor do serviço de inteligência militar israelense, Amos Yadlin, advertiu para a possibilidade de um ataque do Hezbollah xiita libanês na fronteira Israel-Líbano, informou a rádio militar nesta segunda-feira.

De acordo com Yadlin, citado pela emissora, a milícia xiita libanesa poderia utilizar como pretexto a ofensiva militar israelense iniciada em 27 de dezembro contra o Hamas na Faixa de Gaza para abrir "uma segunda frente".

Israel decidiu mobilizar dezenas de milhares de reservistas e os oficiais podem, em parte, ser deslocados para a defesa da fronteira norte do país no caso de ataque do Hezbollah.

Ainda de acordo com a rádio, autoridades militares israelenses descartaram a possibilidade de uma provocação direta do Hezbollah, mas consideram que organizações armadas palestinas presentes no Líbano podem entrar em ação.

ChW/fp/cn

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