Ofensiva israelense em Gaza chega ao quarto dia

Aeronaves israelenses atacaram novos alvos na Faixa de Gaza nas primeiras horas desta terça-feira, no quarto dia de ofensiva contra prédios e instalações do grupo militante palestino Hamas. Segundo fontes médicas na região, os ataques aéreos teriam deixado pelo menos dez mortos e outros 40 feridos. Autoridades palestinas confirmaram 375 mortes e 1.600 feridos desde o início dos combates.

BBC Brasil |

O aumento da violência da região fez com fosse marcada para esta terça-feira uma reunião dos ministros das Relações Exteriores da União Européia para estudar maneiras de solucionar a crise.

O encontro, convocado pelo chanceler francês, Bernard Kouchner, deve discutir a possibilidade da criação de um corredor humanitário para levar auxílio aos feridos em Gaza.

A situação nos hospitais da região foi classificada pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha como "caótica", com os grupos de auxílio médico "pressionados ao seu limite".

Em uma entrevista coletiva nesta segunda-feira, o chefe de assuntos humanitários da Organização das Nações Unidas, John Holmes, afirmou que as últimas informações dão conta de que cerca de 320 palestinos foram mortos nos três primeiros dias de ataques e outros 1.400 ficaram feridos. Os números da ONU não incluem as possíveis vítimas dos ataques desta terça-feira.

"Sessenta e dois dos mortos, acreditamos, eram civis. Este número só leva em conta as mulheres e crianças mortas, não incluímos o número de homens mortos civis, apesar de sabermos que também houve mortes entre eles", disse Holmes em uma entrevista coletiva.

Enquanto isso, o governo israelense estima que quatro civis foram mortos em ataques com foguetes palestinos.

Segundo John Holmes, 60 caminhões com suprimentos foram autorizados a cruzar a fronteira de Gaza com o Egito na segunda-feira.

"Até as últimas conseqüências"

O ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, disse na segunda-feira que seu país vai travar uma guerra até as últimas conseqüências contra o grupo militante palestino Hamas e seus aliados na Faixa de Gaza.

"Nós queremos paz, e estendemos a mão mais de uma vez ao povo palestino", afirmou Barak. "Não temos nada contra o povo de Gaza, mas temos uma guerra até o amargo fim contra o Hamas e suas extensões."
O governo israelense acusa o Hamas e outros grupos militantes palestinos presentes na Faixa de Gaza de lançar ataques com foguetes contra o sul de Israel. As autoridades israelenses apontam esses ataques como o motivo que causou o início da ofensiva.

Forças terrestres israelenses estão se agrupando na fronteira com Gaza, e o governo de Israel declarou "zona militar fechada" em áreas ao redor do território palestino.

De acordo com o governo israelense, a medida foi tomada devido ao risco de ataques palestinos com foguetes contra alvos israelenses na região em retaliação contra a ofensiva em Gaza.

A decisão de fechar a região ao redor da Faixa de Gaza, a convocação de 6,5 mil reservistas e a movimentação de tropas na fronteira são sinais de que uma operação terrestre pode estar sendo preparada por Israel.

"Cessar-fogo imediato"


Ainda nesta segunda-feira, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, pediu que tanto Israel quanto o Hamas interrompam a violência e tomem todas as medidas necessárias para evitar mortes de civis.

Ban ainda pediu que Israel permita que ajuda humanitária possa cruzar a fronteira com Gaza.

"Um cessar-fogo deve ser declarado imediatamente. As partes também devem conter sua retórica inflamada, só assim o diálogo pode começar".

Mesmo reconhecendo o direito de Israel de se defender do ataque de foguetes palestinos, o secretário-geral da ONU condenou o "uso excessivo de força" por parte do país.

O governo dos Estados Unidos, tradicional aliado de Israel, apoiou a ofensiva e declarou na segunda-feira que cabe ao Hamas acabar com a violência e se comprometer com uma trégua.

"Os Estados Unidos entendem que Israel precisa tomar atitudes para se defender. Para que a violência pare, o Hamas precisa parar de lançar foguetes contra Israel e concordar em respeitar um cessar-fogo durável", disse o porta-voz da Casa Branca Gordon Johndroe.

Entretanto, foram registrados diversos protestos contra os ataques israelenses em cidades árabes e européias.

"Reação desproporcional"


Em uma nota divulgada nesta segunda-feira, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil "deplorou" a continuidade dos conflitos em Gaza e chamou a reação do governo israelense na região de "desproporcional", além de pedir que ambas as partes cessem os atos de hostilidade mútua.

"O governo brasileiro deplora a continuidade das ações desproporcionais do governo de Israel na região da Faixa de Gaza, que já causaram, em apenas três dias, a morte de mais de 300 palestinos, muitos dos quais civis e crianças", diz o comunicado.

Ofensiva

A ofensiva militar começou no sábado, uma semana depois do fim de um acordo de cessar-fogo de seis meses com o Hamas.

Israel bombardeou todas as principais cidades da Faixa de Gaza, inclusive a Cidade de Gaza, no norte do território, e Khan Younis e Rafah, no sul.

Mais de 210 alvos foram atingidos nas primeiras 24 horas do que Israel diz que pode ser uma longa operação militar.

Segundo analistas, sábado foi o dia em que foram registradas mais mortes na Faixa de Gaza desde a ocupação israelense do território em 1967, embora não exista uma confirmação independente do número de mortos.

A maioria, contudo, seria formada por policiais a serviço do Hamas, inclusive o chefe da polícia local. Mas relatos indicam que mulheres e crianças também foram mortas.

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