O ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, afirmou nesta segunda-feira que a ofensiva na Faixa de Gaza vai continuar. Ainda não atingimos nossos objetivos, disse ele a parlamentares israelenses.

Barak afirmou ainda que o grupo militante palestino Hamas sofreu um "duro golpe" desde que os ataques a Gaza começaram, há dez dias.

Entretanto, o Ministério da Saúde palestino disse que pelo menos 90 pessoas foram mortas desde que soldados israelenses entraram por terra em Gaza, no sábado. Segundo o Ministério, a maioria das vítimas são civis que tentavam se proteger em suas próprias casas.

Tanque israelense bombardeia sul da Faixa de Gaza / AP

Do outro lado, o líder mais influente do Hamas em Gaza, Mahmud al-Zahar, prometeu a "vitória" do movimento radical islâmico palestino contra Israel.

"A vitória está chegando, com a graça de Deus", afirmou Zahar em um discurso lido no canal de televisão do Hamas, Al-Aqsa, o primeiro dele desde o início da ofensiva em larga escala de Israel em Gaza, no dia 27 de dezembro.

O braço militar do Hamas, as Brigadas Ezzedine al-Qassam, "deram os mais belos exemplos de confronto com um exército que o mundo acredita ser invencível. Vamos vencer com a graça de Deus", insistiu em um discurso transmitido pela televisão do Hamas, a Al-Aqsa.

Gaza 'sitiada'

No 10º dia bombardeios, o Exército israelense dividiu Gaza em três ao iniciar uma nova fase em sua invasão terrestre que consiste na busca e destruição da "infra-estrutura terrorista" na Faixa de Gaza, informaram fontes militares.

As forças israelenses cortaram virtualmente a faixa em três, após tomar posições, o que impede o movimentar-se livremente dentro do território de seu milhão e meio de habitantes.

Após uma noite em que a aviação israelense bombardeou 30 alvos em Gaza, os militares hebreus continuam suas operações no terreno, onde ontem morreram meia centena de palestinos e um soldado israelense.

Na Cidade de Gaza, as ruas estão desertas e se ouvem apenas os aviões israelenses e o fogo de explosões e disparos de artilharia.

23 civis mortos, dizem palestinos

Fontes médicas palestinas afirmaram que pelo menos 23 palestinos, todos eles civis, morreram nesta segunda-feira  em diferentes bombardeios israelenses na Faixa de Gaza.

Treze deles morreram no bairro de Zeitoun, na Cidade de Gaza, quando sua casa foi bombardeada por um tanque durante uma incursão a partir do antigo assentamento de Netzarim, a 3 quilômetros da capital da Faixa de Gaza e onde estão as tropas israelenses, disse o responsável do serviço de emergência do território palestino, Moawiya Hassanein.

AP
Crianças aguardam atendimento em hospital de Gaza

Entre os civis estavam cinco crianças , informaram fontes médicas. Três meninos morreram em consequência do disparo de um obus a partir de um carro de combate no bairro de Zeitun, em Gaza, e os outros dois em bombardeios da Marinha israelense contra o campo de refugiados de Chati, também na cidade de Gaza, segundo o diretor das emergências palestinas, Muawiya Hasanein, que não revelou as idades das vítimas.

O balanço total da operação Chumbo Fundido, iniciada no último dia 27, é de 530 palestinos mortos e 2,5 mil feridos.

Esforços diplomáticos

Nesta segunda-feira, o responsável pela área de política externa da União Europeia, Javier Solana, se encontrou com o presidente do Egito, Hosni Mubarak, no balneário egípcio de Sharm El-Sheikh, e disse esperar conseguir um cessar-fogo logo.

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, está a caminho da região, em outra missão, e também deve se encontrar com Mubarak.

Em outra iniciativa, o emissário da Presidência da Rússia, Alexander Saltanov, reuniu-se com a ministra do Exterior de Israel, Tzipi Livni, no domingo, mas não conseguiu persuadi-la a aceitar Moscou como mediador em negociações com o Hamas.


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