Ofensiva em Gaza deixa 310 mortos e 1.400 feridos

GAZA - A ofensiva israelense contra o Hamas na Faixa de Gaza provocou 310 mortes e deixou 1.420 feridos desde sábado, segundo um novo balanço anunciado pelo diretor dos serviços de emergência do território palestino, Muauiya Hasanein. A fronteira de Israel com Gaza foi declarada zona militar fechada, anunciou, nesta segunda-feira, um porta-voz do Exército de israelense. A medida pode ser considerada a fase prévia de uma operação terrestre.

Redação com agências internacionais |

Segundo Hasanein, a maioria das vítimas é integrante do movimento radical islâmico palestino Hamas, mas entre os mortos dos ataques aéreos também estão civis, incluindo várias crianças.

A aviação israelense executou dezenas de ataques contra a Faixa de Gaza na madrugada desta segunda-feira, matando pelo menos sete palestinos, sendo seis crianças, segundo fontes médicas.

Um ataque na cidade de Jabaliyah, na zona norte do território palestino, matou quatro meninas, com idades entre um e 12 anos, da mesma família, que morava perto de uma mesquita que foi alvo dos ataques. Outros dois menores faleceram em uma ação em Rafah, sul da Faixa de Gaza. O sétimo morto era um ativista do Hamas.


Além de supostas bases militares palestinas, um avião israelense bombardeou na madrugada desta segunda-feira (hora local) a Universidade Islâmica de Gaza, um dos redutos do grupo Hamas, sem deixar vítimas, disseram testemunhas. Cinco foguetes foram lançados na instituição, que fica no centro da cidade.

Os aviões israelenses também atacaram 40 túneis na fronteira de Gaza com o Egito. As passagens, segundos os militares de Israel, eram utilizadas para o contrabando de armas.

Após essa ação, dezenas de palestinos cruzaram para o Egito através de buracos feitos com explosivos e escavadeiras no muro da fronteira. Atiradores palestinos trocaram tiros com a polícia egípcia, que, segundo testemunhas, prendeu várias pessoas que tentavam deixar Gaza.


Palestinos feridos fogem para o Egito / Foto: AP

Invasão terrestre

Nos limites da Faixa de Gaza, tanques israelenses estão posicionados para adentrar o território, onde vivem 1,5 milhão de palestinos. O gabinete de Israel aprovou a convocação de 6,5 mil reservistas.

A ministra do Exterior de Israel, Tzipi Livni, que pretende se tornar a premiê nas eleições de 10 de fevereiro, aparentemente descartou uma invasão em grande escala à Faixa de Gaza, uma ação que restauraria o controle israelense na região. "O nosso objetivo não é reocupar a Faixa de Gaza," disse ela a um programa da rede norte-americana NBC. Questionada se Israel derrubaria o governo do Hamas em Gaza, Livni respondeu: "Não agora."

Nova trégua

O enviado especial da ONU para o Oriente Médio, Robert Serry, pediu neste domingo um cessar-fogo na Faixa de Gaza entre Israel e o Hamas, com o apoio da comunidade internacional, por considerar que não existe uma solução militar para o conflito.

"A comunidade internacional, as Nações Unidas, a Liga Árabe, o Conselho de Segurança da ONU e também o Quarteto (para o Oriente Médio, formado por Estados Unidos, Rússia, ONU e União Européia) devem promover um meio para avançar na direção de um novo cessar-fogo", declarou Serry, em entrevista à AFP.

"Queremos que a violência cesse imediatamente. Não acreditamos que exista uma solução militar para a situação em Gaza", continuou.

"Eu mesmo estou em contato com meus colegas da região e outros enviados para coordenar os esforços para apoiar os apelos pelo fim da violência e pela renovação do cessar-fogo, que poderia se traduzir em uma melhora mais duradoura da situação em Gaza", acrescentou o enviado da ONU.

Números da ONU

Pelo menos 51 civis morreram desde sábado na ofensiva militar israelense contra a Faixa de Gaza, que provocou mais de 310 mortes, informou nesta segunda-feira a Agência da ONU para os Refugiados Palestinos (UNRWA).

Mulheres e crianças estão entre os civis mortos, de acordo com Christopher Gunness, porta-voz da entidade.

Ações continuam

Mark Regev, porta-voz do premiê israelense Ehud Olmert, afirmou que Israel continuará com a campanha "até obter um novo ambiente de segurança, até a população não mais viver sob o terror e o medo de foguetes."

Questionado sobre quanto tempo a operação duraria, Avi Benayahu, porta-voz militar, afirmou à TV israelense que a ação poderia levar "ainda muitos dias."

O porta-voz do Hamas Fawzi Barhoum fez um chamado para que os grupos palestinos usem em resposta "todos os meios disponíveis, incluindo operações de martírio," numa referência a atentados suicidas em Israel.

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