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Ofensiva em Gaza pode demorar , diz premê israelense

O primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, advertiu neste sábado que a ofensiva israelense contra o Hamas na Faixa de Gaza pode demorar algum tempo, em meio a relatos de fontes médicas palestinas de que os bombardeios aéreos já deixaram mais de 200 mortos. Há um tempo para trégua e um tempo para a luta, e agora é o momento da luta, disse o premiê em uma coletiva em Tel Aviv.

BBC Brasil |

"Todos nós estamos preparados para encarar o fardo e as dores que são parte inseparável desta situação."
Os ataques com caças F-16, que também teriam deixado centenas de feridos, são os mais intensos realizados por Israel em meses e se seguem ao fim, neste mês, do acordo de cessar-fogo entre o governo israelense e o grupo palestino Hamas, que controla a Faixa de Gaza.

Imagens exibidas pela TV mostram cenas de caos nas ruas da Faixa de Gaza e pessoas ensangüentadas sendo levadas para hospitais.

Funcionários do principal hospital de Gaza disseram que as salas de cirurgia estão superlotadas, que os remédios estão acabando e que não há cirurgiões suficientes.

Fontes médicas em Gaza disseram ainda que a maioria das vítimas dos ataques são policiais ligados ao Hamas, mas haveria também mulheres e crianças.

"Desastre"
Israel alega ter lançando os ataques como retaliação pelos ataques com foguetes lançados da Faixa de Gaza contra o sul de seu território. Militantes palestinos realizam esse tipo de ataque freqüentemente, e grande número de disparos foi efetuado nos últimos dias, causando vítimas do lado israelense.

Falando diretamente aos moradores de Gaza, Olmert enfatizou que o inimigo de Israel na ofensiva não é a população do território, mas o "Hamas, Jihad (Islâmico) e outras organizações terroristas".

"Eles trouxeram desastre para vocês, e eles tentaram trazer desastre para o povo de Israel, e é nosso objetivo comum realizar todo o esforço que for possível para pará-los."
Olmert e a chanceler israelense, Tzipi Livni, enfatizaram que as forças israelenses estão procurando minimizar o número de vítimas entre os civis - "muito embora isso seja difícil", disse Livni.

"Nós atacamos apenas alvos que são parte de organizações ligadas ao Hamas", disse Olmert.

O Hamas prometeu buscar uma revanche pelos ataques e lançou mais ataques contra o território israelense, matando pelo menos uma pessoa na cidade de Netivot.

O líder do movimento em Gaza, Ismail Haniyeh, também fez um pronunciamento e convocou uma nova intifada, ou levante, contra Israel. Segundo ele, "a Palestina nunca testemunhou um massacre mais feio".

"Nós não vamos aceitar um acordo ou recuar em nossa religião ou causa", afirmou, antes de se dirigir diretamente aos líderes de Israel. "Se vocês matarem milhares de nós e de nosso povo, vocês não serão capazes de matar nosso espírito."
Alvos
Os bombardeios atingiram várias áreas na Faixa de Gaza, visando os locais mais povoados: a Cidade de Gaza, Khan Younis e Rafah.

Em um comunicado, as forças armadas israelenses disseram que os ataques tiveram como alvo membros do Hamas responsáveis por operações de "terror", além de campos de treinamento de militantes e depósitos de armas.

A maioria das vítimas teriam sido atingidas na Cidade de Gaza e, entre os mortos, acredita-se que esteja Tawfik Jaber, diretor da polícia da Faixa.

Antes da coletiva, Livni disse que não havia outra alternativa a não ser lançar os ataques. "Nós estamos fazendo o que temos que fazer para defender nossos cidadãos", disse.

Os ataques aéreos ocorrem em meio a boatos, em Israel, de que uma operação militar por terra contra o Hamas na Faixa de Gaza seja iminente.

A TV israelense informou neste sábado que tropas israelenses estão se dirigindo para a fronteira com Gaza em preparação para a nova ofensiva, mas a BBC não conseguiu checar a alegação de forma independente.

1967
Segundo um analista da BBC, se o balanço de mortos e feridos revelado por fontes palestinas se confirmar, este pode ter sido o pior ataque israelense contra a Faixa de Gaza desde 1967, em termos de número de vítimas.

O acordo de cessar-fogo de seis meses entre Israel e o Hamas expirou no dia 19 deste mês. O Hamas culpou Israel pela não renovação do tratado, dizendo que o governo israelense não cumpriu a promessa de levantar o bloqueio à Faixa de Gaza.

Com o bloqueio, Israel permite a entrada de poucos itens na Faixa de Gaza, tornando a vida muito difícil para os palestinos. O governo israelense diz que ele é necessário para isolar e pressionar o Hamas.

Israel disse que chegou a começar a levantar as restrições, mas voltou atrás ao ver que os palestinos não estavam cumprindo o que prometeram, parar com os disparos de foguetes contra alvos israelenses e abandonar o contrabando de armas.

Reações
Na Cisjordânia, o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas - cuja facção política, o Fatah, foi afastada do governo da Faixa de Gaza pelo Hamas em 2007 - condenou os ataques e pediu calma.

O presidente da Liga Árabe, Amr Moussa, disse que os ataques israelenses foram assustadores e convocou uma reunião de emergência da organização para discutir a escalada da violência. A reunião deve ser realizada neste domingo, no Cairo.

"Agora estamos lidando com uma situação muito perigosa e real, uma grande tragédia humana... Haverá muitas vítimas em Gaza e os árabes precisam assumir uma posição", disse Moussa.

Por sua vez, o governo dos Estados Unidos manteve a posição de que Israel tem o direito de se defender, mas pediu que o país faça tudo o possível para preservar a vida de inocentes.

A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, divulgou um comunicado em que diz que o Hamas é culpado pela escalada da violência na região.

"Nós condenamos de forma veemente os ataques repetidos com foguetes e tiros de morteiro contra Israel e consideramos o Hamas responsável por romper o cessar-fogo e pela retomada da violência. O cessar-fogo deve ser restaurado imediatamente e respeitado em sua integridade."

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