Ofensiva de rebeldes muçulmanos deixa 31 mortos nas Filipinas e ameaça paz

Zamboanga (Filipinas), 18 ago (EFE).- Pelo menos 31 pessoas foram mortas hoje por rebeldes muçulmanos antes de os soldados os expulsarem de duas cidades católicas no sul das Filipinas nas quais têm aumentado os combates que ameaçam o processo de paz.

EFE |

O chefe das Forças Armadas das Filipinas, general Alexander Yano, classificou os ataques de "virtual declaração de guerra" por parte da Frente Moura de Libertação Islâmica (FMLI), que culpou facções renegadas e insistiu em seu compromisso a favor de uma solução negociada, segundo seu porta-voz, Eid Kabalu.

As duas partes se acusaram mutuamente de terem violado o acordo de cessar-fogo vigente desde 2003.

Em Manila, a presidente das Filipinas, Gloria Macapagal Arroyo, jurou defender cada centímetro do território e ameaçou invadir as cidades de Kauswagan e Kolambugan, na província de Lanao do Norte, a 800 quilômetros ao sul de Manila e reduto dos insurgentes.

Após horas de tensão e cercada pelo Exército, a guerrilha optou por sair das pequenas cidades levando consigo como escudos humanos dezenas de inocentes a cujas casas os rebeldes tinham ateado fogo, segundo o general Hilario Atendido.

O comando militar afirmou que 16 civis morreram em Kauswagan e outros sete em Kolambugan, enquanto um oficial do Exército e sete membros da Unidade Geográfica de Forças Armadas Civis (CAFGU, em inglês) também morreram nos combates.

A CAFGU, grupo paramilitar criado durante a ditadura de Ferdinand Marcos para combater os rebeldes comunistas e muçulmanos, é a herdeira dos antigos "grupos vigilantes" acusados de inúmeras violações dos direitos humanos da oposição política.

Segundo várias testemunhas, alguns corpos tinham ferimentos de bala, mas outros pareciam ter sido cortados com facões, como é comum nas selvas do sul das Filipinas.

Centenas de civis abandonaram a região e buscaram refúgio em outras cidades, o que aumentou o rastro de deslocados na área, uma das mais castigadas pelos conflitos em todo o Sudeste Asiático.

Os insurgentes islâmicos retomaram seus ataques apenas 24 horas após quatro soldados e três paramilitares morrerem em outra emboscada atribuída à guerrilha em Lanao do Sul.

Esta onda de violência, que começou no final de semana, segue aos intensos enfrentamentos travados na semana passada em Cotabato do Norte, onde a FMLI ocupou 13 cidades que resistiam em abandonar, até que Arroyo deu um ultimato.

Os confrontos deixaram quase 50 mortos e mais de 165 mil pessoas desabrigadas em Cotabato do Norte, onde surgiu o recurso que levou o Tribunal Supremo a suspender, duas semanas atrás, a assinatura de um memorando de entendimento entre o Governo e os rebeldes.

Segundo as duas partes, o documento abriria caminho para conseguir um acordo de paz que acabaria com décadas de guerra em uma das regiões mais pobres do país.

No entanto, alguns políticos cristãos são contra dar maior grau de autonomia aos muçulmanos da ilha de Mindanao, os primeiros habitantes do local antes da chegada dos colonizadores espanhóis.

A paralisação temporária do processo de paz gerou uma crescente situação de tensão em Mindanao, onde 4 milhões de muçulmanos mantêm uma difícil convivência com 9 milhões de católicos.

Fundada em 1984, a FMLI é a maior organização separatista das Filipinas, com mais de 12 mil militantes, muitos dos quais continuam enfrentando o Exército apesar do cessar-fogo, vigente em teoria desde 2003.

Quase quatro décadas de conflito étnico, religioso e tribal já deixaram 120 mil mortos e cerca de 2 milhões de desabrigados em Mindanao. EFE rp/wr/fal

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