OEA vê evolução em conversas para resolver crise entre Colômbia e Equador

Susana Madera Quito, 30 jul (EFE).- O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), o chileno José Miguel Insulza, disse hoje em Quito que as conversas de intermediação para tentar superar a crise diplomática entre Colômbia e Equador melhoraram substantivamente.

EFE |

Depois de se reunir por mais de uma hora com o presidente equatoriano, Rafael Correa, no Palácio de Carondelet, sede do Executivo, Insulza explicou que, no entanto, é necessário "ser muito prudente" nas declarações.

Insulza, que se pronunciou antes da viagem que fará ainda hoje a Bogotá para se encontrar com o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, disse que "nos próximos dias" voltará ao Equador "para buscar resultados concretos".

"Queremos avançar no assunto da verificação da fronteira, nas medidas de confiança mútua, na troca de informações nos aspectos relacionados aos temas militares e policiais, entre outros", afirmou.

Insulza declarou que todo esse processo acontece "com o horizonte de uma normalização plena nas relações entre ambos os países". Ele ainda disse que leva algumas "idéias" de Correa para debater com as autoridades colombianas e às quais vai se referir quando tiver algum resultado.

O secretário-geral da OEA afirmou que está "otimista" sobre a situação.

"Sempre acho que os senhores presidentes atuam de boa vontade, em defesa dos interesses de seu país e, certamente, algumas coisas que eles querem não só me parecem possíveis, mas razoáveis. E sobre essa base, sou otimista", ressaltou.

Perguntado sobre se existe algum limite de tempo para o reatamento das relações entre Quito e Bogotá, desgastadas desde março, Insulza declarou que não é de sua responsabilidade "fixar prazo para nada".

"(Devo) somente cumprir a missão que me foi entregue na reunião de ministros das Relações Exteriores (da OEA), e a estou cumprindo.

Na medida do possível, vou continuar nisso", ressaltou.

Insulza disse que de "ambas as partes" existe disposição para retomar as relações.

"Eles apresentam as condições nas quais isso poderia ser possível e, naturalmente, eu preciso ver se essas condições são possíveis do outro lado e, assim, ir e vir até ser possível" retomar as relações, ressaltou.

Embora o próprio secretário da OEA tenha mencionado a palavra "condições", ao ser consultado sobre elas, ele esclareceu que "não são restrições".

"São simplesmente mudanças de cenários que precisam ser feitas.

Não falemos de condições, mas acho que o cenário melhorou muito, mas ainda tem que melhorar mais para poder chegar a uma solução mais definitiva", explicou.

Insulza sustentou que agora "se pode dizer que o ambiente é muito diferente de umas semanas atrás", mas preferiu não especificar quais as diferenças nem em que pontos mudaram.

Após suas curtas declarações à imprensa, junto ao chanceler interino equatoriano, José Valencia, estava previsto que Insulza partisse rumo à Colômbia.

Quito rompeu relações diplomáticas com Bogotá em 3 de março, dois dias depois de militares colombianos realizarem uma operação contra um acampamento das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) instalado no Equador, e na qual morreram 26 pessoas, entre elas "Raúl Reyes", o então número dois dessa guerilha.

Embora o Equador condene publicamente as ações e procedimentos das Farc, o país considera que, ao atravessar a fronteira, os militares colombianos violaram território equatoriano, o que levou ao rompimento das relações diplomáticas. EFE sm/rb/rr

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