OEA tenta restaurar confiança entre Quito e Bogotá para retomar relações

Quito, 5 abr (EFE).- Uma missão da Organização dos Estados Americanos (OEA) tenta hoje em Quito promover medidas para restaurar a confiança e restabelecer as relações diplomáticas entre Equador e Colômbia, rompidas por causa da violação territorial equatoriana por tropas colombianas no dia 1º de março.

EFE |

Os delegados da OEA se reuniram a portas fechadas com a ministra das Relações Exteriores equatoriana, María Isabel Salvador, com a intenção de "restabelecer a confiança e o diálogo entre as duas partes", disse aos jornalistas antes do encontro o responsável da missão, o diplomata boliviano Víctor Rico Frontaura.

Amanhã, a delegação deve viajar para Bogotá para se reunir com as autoridades colombianas, afirmou Frontaura, dizendo que conversará com ambos os Governos e que "serão manipulados todos os textos por canais oficiais", pelo que não fará declarações sobre o tratado.

Frontaura explicou que, depois da visita a Quito e a Bogotá, o secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, será informado, "porque é ele quem está encarregado da missão", após receber esta incumbência dos chanceleres do organismo pan-americano no dia 18 de março.

Na reunião dos Ministros de Exteriores da OEA foi aprovada uma resolução de "rejeição" à incursão militar da Colômbia em território equatoriano, que teve como objetivo atacar um acampamento das Farc, por considerar que o ato se constituiu numa violação da soberania e integridade territorial do Equador.

Após a primeira reunião com Salvador, a delegação da OEA se reunirá de novo com a chanceler, junto aos ministros equatorianos de Segurança Interna e Externa, Gustavo Larrea; de Defesa, Wellington Sandoval, e de Governo, Fernando Bustamante, segundo um comunicado da Chancelaria.

Um grupo de ex-chanceleres e embaixadores equatorianos e representantes do setor acadêmico deve se reunir hoje com a missão da OEA, que encerrará sua rodada de consultas em Quito amanhã com um novo encontro com a chanceler.

A crise diplomática foi originada com uma operação militar realizada por tropas colombianas contra um acampamento da guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) assentado em território equatoriano.

No ataque militar morreram 26 pessoas, entre elas o porta-voz internacional das Farc, "Raúl Reyes", quatro estudantes mexicanos, um cidadão equatoriano e um militar colombiano.

O Equador, seguido por Venezuela e Nicarágua, rompeu relações com a Colômbia e apresentou uma queixa à Cúpula do Grupo do Rio e à OEA.

O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, apresentou suas desculpas ao Equador e prometeu que a violação territorial não se repetiria, ao discursar no dia 7 de março na reunião da Cúpula do Grupo do Rio, na República Dominicana, na qual o governante equatoriano, Rafael Correa, aceitou as desculpas e deu por encerrado o assunto.

No entanto, para restabelecer as relações, Quito reivindicou "sinais" de confiança por parte de Bogotá e disse que estes não ocorreram, pois tanto Uribe como seu ministro da Defesa, Juan Manuel Santos, qualificaram de "legítima" a operação contra as Farc no Equador, apesar da rejeição internacional.

Além disso, Correa acusou a Colômbia de manter uma "ofensiva midiática" contra seu Governo, ao tentar implicar membros do Executivo com as Farc, entre eles o ministro de Segurança Interna e Externa, Gustavo Larrea, que admitiu ter mantido contato para buscar a libertação de seqüestrados pela guerrilha.

A situação se complicou posteriormente, ao ser anunciado que um dos mortos no acampamento era um equatoriano, Franklin Aisalla, investigado por supostas ligações com as Farc, já que Correa afirmou que "o assassinato" foi "co-nacional", ou seja, em território de seu país por tropas estrangeiras.

O último episódio da crise foi a denúncia apresentada na semana passada pelo Equador contra a Colômbia perante o Tribunal Internacional de Haia.

O objeto da queixa foi a fumigação aérea de plantações de folha de coca na fronteira comum com herbicidas que, segundo Quito, ultrapassam a fronteira e causam graves danos à saúde das pessoas e ao meio ambiente. EFE jc/bf/db

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