OEA teme por onda de violência em Honduras

SANTIAGO DO CHILE - O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, afirmou nesta sexta-feira que evitar a violência em Honduras é quase impossível, após o fracasso das negociações do fim de semana.

Redação com agências internacionais |


Reuters
Insulza fala sobre a situação em Honduras
Insulza fala sobre a situação em Honduras

"É quase impossível evitar (o confronto) ou pedir calma quando a ditadura pretende ficar no poder", disse Insulza, em declarações à rádio "Cooperativa do Chile".

Instaurado em 28 de junho, após destituir do poder o presidente eleito democraticamente, Manuel Zelaya, o regime de facto hondurenho encerrou no domingo os diálogos mediados pelo presidente da Costa Rica, Oscar Arias. O mediador apresentou uma proposta de sete pontos que pedia, entre outros, a restituição imediata de Zelaya ao poder. A delegação do presidente destituído aceitou as medidas, mas não a representação de Micheletti.

"O presidente Arias deu um prazo de 72 horas para que as posições mudem, ou seja, sobretudo para que o governo de facto flexibilize sua posição. E a verdade é que esse é o principal problema", destacou Insulza.

"O espírito é evitar a violência e o confronto entre os hondurenhos. Não acho que o caminho do confronto seja bom, mas acho que não vamos evitá-lo se não houver, da parte do governo de facto alguma, flexibilidade", acrescentou.

Insulza afirmou, ainda, que "não existe ninguém no mundo que apoie" o governo que está no poder em Honduras. "É uma loucura que pode custar muito caro aos hondurenhos", afirmou.

Protestos

Após o fracasso do diálogo com representantes do governo interino de Honduras, Zelaya anunciou que retornará ao seu país no próximo fim de semana.

Por sua vez, organizações do Bloco Popular realizarão novos protestos nesta segunda-feira. Na quinta, será iniciada uma greve geral e o comércio de Honduras com a América Central deverá ser paralisado. Existe também a possibilidade de que os Estados Unidos suspendam sua atividade comercial.

De acordo com Marvin Ponce, deputado do Congresso Nacional pelo partido Unificação Democrática e membro da Frente de Resistência contra o Golpe, serão realizadas mobilizações em 22 pontos do país e que a greve será mantida até que Zelaya volte ao poder.

"Nós tínhamos a expectativa de que o diálogo com a mediação do presidente da Costa Rica, Oscar Arias, iria ser frutífero para resolver a crise institucional em Honduras, que forçosamente tem que ser a restituição de Zelaya", disse o parlamentar à ANSA.

Ponce, que é também ex-dirigente operário, formou uma comissão que viajou aos Estados Unidos para dialogar com congressistas e funcionários do Departamento de Estado norte-americano.

Segundo ele, congressistas democratas prometeram iniciar gestões pela suspensão do Tratado de Livre Comércio desse país com Honduras, como medida de pressão para obrigar o regime de facto a deixar o poder.

Diálogo fracassa em Honduras; veja o vídeo:

(Com informações de EFE e Ansa)

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