OEA quer pressionar Micheletti a aceitar Acordo de San José

San José, 3 ago (EFE).- A Organização dos Estados Americanos (OEA) estuda a possibilidade de enviar uma missão de alto nível a Honduras para persuadir o novo Governo do país a aceitar o Acordo de San José, proposto pelo presidente costarriquenho, Óscar Arias, para pôr fim à crise política hondurenha de forma pacífica.

EFE |

A decisão sobre o envio deste grupo, possivelmente formado por chanceleres latino-americanos, será tomada na próxima quarta-feira no Conselho da OEA, anunciou hoje na Costa Rica o secretário-geral da entidade, José Miguel Insulza.

A medida foi discutida hoje em San José e recebeu o sinal verde de Arias, da primeira vice-presidente do Governo espanhol, María Teresa Fernández de la Vega, e do secretário-geral ibero-americano, Enrique Iglesias.

A comissão pode ser liderada por Insulza, segundo declarou à imprensa o próprio secretário-geral da OEA, o qual preferiu não antecipar nenhum detalhe sobre quem pode fazer parte do grupo até a decisão de quarta-feira.

O novo presidente de Honduras, Roberto Micheletti, pediu na semana passada a Arias, em sua qualidade de mediador na crise, o envio de uma delegação internacional que se reuniria com representantes dos poderes do Estado e empresários hondurenhos.

Micheletti sugeriu que Enrique Iglesias liderasse este grupo, mas o secretário-geral ibero-americano declinou hoje de aceitar tal oferta ao argumentar que é necessário analisar "quando uma visita dessas características pode ser útil para o objetivo almejado".

Arias disse que a missão "teria como meta ver se podemos superar as dificuldades para que todos os pontos do Acordo de San José sejam aceitos".

O eixo fundamental do documento é o restabelecimento da ordem constitucional por meio da restituição no poder do presidente deposto hondurenho, Manuel Zelaya, algo que Arias não conseguiu até agora.

O envio da missão da OEA foi respaldado pela primeira vice-presidente espanhola, tanto em nome de seu país, quanto no da União Europeia (UE), como mais um passo para resolver a crise no país centro-americano.

Para Fernández de la Vega, o Acordo de San José é "muito razoável". Ela também disse que este é o momento em que é preciso "pôr todo o apoio no processo, com uma mensagem de firmeza e decisão de levar o acordo adiante".

A primeira vice-presidente espanhola lembrou que a posição da UE diante da situação em Honduras foi "clara, taxativa e nítida" desde o primeiro momento, já que o bloco sempre condenou o golpe de Estado e exigiu o restabelecimento da ordem constitucional.

O envio desta delegação demonstrará "a disposição (da OEA) a ter uma conversa com uma autoridade que não reconhecemos como legítima, mas com a qual precisamos conversar para ter uma solução para este problema", disse Insulza.

No entanto, o secretário-geral da OEA foi enfático ao lembrar que o propósito do grupo seria "avançar fundamentalmente nos temas do Acordo de San José", que incluem não só a restituição de Zelaya no poder, mas também uma anistia política e a formação de um Governo de união nacional.

Diante da hipótese de que esta nova iniciativa fracasse em sua tentativa de conseguir um acordo entre as partes, Arias assegurou que prefere manter a esperança de que o consenso será possível.

"Não há um 'plano B', e confio em que a pressão internacional vai permitir finalmente o Acordo de San José", acrescentou o presidente costarriquenho. EFE nda/bba

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