OEA quer criar cultura da não-violência na América

Céline Aemisegger. San Pedro Sula (Honduras), 1 jun (EFE).- A Organização dos Estados Americanos (OEA) aprovará em sua assembleia geral, que começa amanhã, uma declaração em que os chanceleres se comprometem a promover uma cultura da não-violência no continente, um dos mais prejudicados pelo problema.

EFE |

O debate sobre o tema principal da 39ª Assembleia Geral da OEA começou hoje com atos paralelos à reunião anual de chanceleres, no diálogo de chefes de delegação dos 34 países-membros do organismo interamericano com representantes de trabalhadores e do setor privado.

A conversa passará amanhã para as sessões plenárias da assembleia geral, onde os chanceleres exporão sua visão sobre o problema, que constitui grande preocupação na região pelo grave aumento da violência, do crime organizado e dos diferentes tipos de delinquência, que se tornam cada vez mais transnacionais.

O secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, e o presidente hondurenho, Manuel Zelaya, querem dar um peso importante ao debate sobre a não-violência nessa assembleia.

No entanto, tudo aponta para que o fim da suspensão imposta pelo organismo a Cuba em 1962 por seus vínculos com o marxismo-leninismo desloque grande parte da atenção.

A declaração, pactuada previamente, contém 32 artigos resolutivos para impulsionar uma cultura de paz e não-violência, envolver todos os setores da sociedade e adotar as medidas necessárias para prevenir, impedir e penalizar a violência, assim como a segregação, exploração e discriminação exercida contra minorias.

Por isso, a OEA e o Governo hondurenho reiteraram nos dias anteriores à inauguração da assembleia que, apesar de Cuba ser um tema importante para o organismo, a não-violência, como eixo central da reunião anual de chanceleres, deve sobressair sobre qualquer outro porque afeta todo o povo americano.

Insulza, a subsecretária das Relações Exteriores de Honduras, Patricia Licona, e o secretário-geral adjunto da OEA, Albert Ramdin, destacaram na coletiva de imprensa prévia à assembleia a importância do tema este ano.

Cuba é "um assunto importante para a assembleia, para o sistema interamericano e vital para a OEA, mas o assunto principal é a não-violência", enfatizou Licona perante a imprensa.

A não-violência, tema proposto pelo Governo de Honduras, é uma das principais preocupações do continente americano, afligido por altas taxas de violência.

Ramdin lembrou que a América Latina e o Caribe são umas das regiões mais afetadas pela violência no mundo.

"É necessário que sejam tomadas medidas sérias para lutar contra a violência" no continente, insistiu Ramdin.

Honduras pretende conseguir com a declaração um claro compromisso dos 34 países-membros da OEA com promover uma cultura da não-violência em suas respectivas nações e na região em seu conjunto.

Em seu indicador para o assunto de 2008, a OEA assinalou que o principal problema dos países da América Latina é, com 17% , a delinquência, seguido do desemprego.

Foi a primeira vez desde 1995 que a delinquência apareceu como o principal problema da região.

O problema da delinquência é crítico na Venezuela (57%) e no México (33%). Há ainda seis países onde ronda ou supera 20%: Guatemala (24%), Panamá (24%), Costa Rica (22%), Honduras (22%), Argentina (21%) e El Salvador (19%). EFE cai/rr

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