OEA pede que bolivianos se acalmem e facilitem diálogo pacificador

Cochabamba (Bolívia), 19 set (EFE).- O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, pediu que todos mantenham a calma na Bolívia e facilitem o processo de diálogo, dividido hoje em comissões temáticas.

EFE |

Insulza chegou à Bolívia para atuar como observador e "facilitador" dos contatos entre o presidente Evo Morales e seus opositores autonomistas, que tentam chegar a um acordo em relação a uma série de temas para, assim, pacificar o país.

Antes de chegar a Cochabamba (centro), lugar onde acontecem as reuniões, Insulza fez uma breve escala em La Paz, onde se mostrou convencido de que o diálogo terá um resultado positivo e manifestou seu apoio a Morales e às negociações em curso no país.

A OEA faz parte do grupo de entidades internacionais chamadas para "acompanhar" a nova tentativa de diálogo entre o Governo e a oposição. Outros convidados foram a ONU, a Igreja Católica, a União de Nações Sul-americanas (Unasul) e embaixadores de países da União Européia (UE).

Para os opositores, a presença desses representantes, sobretudo os da OEA, da ONU e da Unasul, é uma garantia de que o Governo não vai "desconhecer" os acordos alcançados, como já aconteceu outras vezes, disse em Cochabamba Mario Cossío, governador autonomista de Tarija.

O segundo dia de diálogo entre as partes começou com um debate, em três comissões, sobre os principais pontos do conflito: a nova Constituição e as autonomias, a distribuição da receita proveniente do petróleo e um pacto institucional para a ocupação das vagas em aberto em entidades como o Tribunal Constitucional e a Suprema Corte.

As conversas transcorreram na ausência de Morales, que viajou para o Panamá em visita oficial e para receber o título de doutor "honoris causa" da Universidade Nacional panamenha.

O presidente boliviano só voltará à mesa de diálogo amanhã, quando está prevista uma nova sessão plenária para o delineamento de eventuais acordos.

O Governo Morales e o bloco autonomista integrado pelos departamentos (estados) opositores de Santa Cruz, Beni, Pando, Tarija e Chuquisaca tentaram vários diálogos este ano, mas fracassaram devido à inflexibilidade de ambas as partes.

Por isso, o atual processo pode ser a "última oportunidade" para o alcance de um acordo, segundo Cossío, que não quis fazer previsões sobre as conseqüências para o país de uma ruptura nas negociações.

Hoje, Cossío também chamou a atenção para os elementos "perturbadores", em referência às diversas mobilizações que setores ligados a Morales ainda mantêm, como os mineradores que marcharam pelo centro de Cochabamba detonando pequenas bananas de dinamite.

Em volta de Santa Cruz, grupos de seguidores de Morales também permanecem concentrados, à espera dos resultados do diálogo.

"A única maneira de neutralizar as mobilizações é havendo resultados rápidos sobre autonomias nas próximas horas", disse o ministro de Desenvolvimento Rural e ex-integrante da Assembléia Constituinte, Carlos Romero, que dirige uma das comissões de trabalho em Cochabamba.

Por outro lado, os opositores também acham necessário que a região de Pando (norte) tenha um representante nas negociações.

Esse departamento chegou hoje ao sexto dia em estado de sítio, decretado depois da onda de violência entre civis armados deixou pelo menos 17 mortos e mais de 100 desaparecidos.

O "massacre" de camponeses pelas mãos de autonomistas que, segundo o Governo, aconteceu em Pando levou à cadeia o governador do departamento, Leopoldo Fernández, quem ontem teve a prisão preventiva decretada por um juiz.

Em declarações à Agência Efe, o advogado de defesa de Fernández, Aurelio Valenzuela, disse que o governador é vítima de um "linchamento político" por parte do Governo de Morales. Além disso, acusou o juiz que ordenou a prisão de seu cliente de obedecer a interesses "escusos" e "partidários". EFE ja/sc

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