OEA não crê em solução rápida para negociação em Honduras

O chanceler do governo interino de Honduras, Carlos López Contreras, e secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, disseram que a crise política no país centro-americano não será resolvida até o final da reunião que está sendo realizada nesta quarta-feira entre representantes do governo interino e do presidente deposto, Manuel Zelaya, sob a supervisão da OEA. Insulza afirmou que a delegação da OEA partirá de Honduras nesta quinta-feira como previsto, mas que as negociações vão continuar.

BBC Brasil |

"É um diálogo hondurenho", afirmou, acrescentando ainda que "não é um tema para uma semana, é para mais uma semana".

Em suas considerações iniciais, feitas na abertura do encontro, Insulza listou cinco pontos que devem nortear as negociações. Os cinco itens são desdobramentos do plano para pôr fim à crise formulado pelo presidente da Costa Rica, Oscar Árias.

Os itens consistem na restituição de Zelaya à Presidência para permitir que ele conclua o seu mandato; a formação um governo de unidade nacional; obter garantias por parte do presidente de que não haverá tentativas de reformar a Constituição do país; decretar uma anistia para supostos delitos políticos e a criação de mecanismos para garantir a implementação destes pontos.

A crise atual teve início quando Manuel Zelaya foi afastado do poder no dia 28 de junho e expulso do país. O líder deposto regressou clandestinamente a Honduras no último dia 21 e se refugiou na embaixada do Brasil.

Estado de sítio
Contreras abriu o encontro e pediu ao mundo que retire as sanções que foram impostas sobre Honduras e acrescentou que o regresso de Zelaya permanece como um ponto de discussão.

O ministro interino afirmou que o Brasil precisa definir a situação de Zelaya e decidir se o país pretende ou não conceder asilo político ao líder deposto. Ele pediu ainda que o presidente deposto não use a embaixada para fins políticos e solicitou a Zelaya que peça a seus militantes que não façam uso da violência.

O chanceler confirmou que o estado de sítio, decretado pelo governo interino, não está mais em vigor. Apesar disso, na prática, o fim do regime de exceção, que foi anunciado por Micheletti na segunda-feira, ainda não chegou a ser publicado no Diário Oficial hondurenho, o que faz com que ele siga ativo.

Em seu pronunciamento, Insulza foi enfático ao criticar o estado de Sítio, decretado por Micheletti cinco dias após o regresso de Zelaya a Honduras. A medida impede a realização de reuniões com mais de 20 pessoas e impõe restrições à liberdade de expressão.

Nesta quarta-feira, quando, a julgar pelas declarações de Micheletti, o fim do regime de exceção teria completado um dia, a polícia voltou a reprimir, de forma enérgica, manifestantes que pediam a volta de Manuel Zelaya em frente à Embaixada dos Estados Unidos, lançando bombas de gás lacrimogêneo.

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