OEA inicia tentativa de aproximação política na Bolívia

LA PAZ - Uma missão política da Organização dos Estados Americanos (OEA) entrou em contato na terça-feira com o governo de Evo Morales e a oposição conservadora da Bolívia, buscando contribuir para um acordo que evite uma explosão de violência no país.

Reuters |

Composta há dois dias, a gestão foi montada enquanto parece aumentar a tensão devido ao projeto de uma nova Constituição 'plurinacional', um dos pilares da 'revolução democrática e cultural' de Morales, e as demandas por autonomia em quatro Estados, que empunham a bandeira da oposição.

'Estamos conversando com os diversos atores da vida política boliviana. Há desacordos e tensões e é importante que isso seja resolvido da melhor maneira possível', disse o chefe da missão especial da OEA e ex-chanceler argentino Dante Caputo, depois de uma reunião de mais de duas horas com Morales.

'Mas não estamos, neste momento, formando nenhuma gestão mediadora', avisou o enviado, que também tem encontros agendados com o presidente do Senado, Oscar Ortiz; o prefeito do distrito de Santa Cruz, Rubén Costas; e dirigentes de organizações sociais.

No mês passado, Costas e Ortiz criticaram duramente o secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, por ter declarado que o projeto de uma nova constituição para a Bolívia está enquadrado pelas leis nacionais e internacionais.

A visita da missão da OEA a Santa Cruz está agendada para a quarta-feira, coincidindo com uma marcha convocada por autoridades e dirigentes cívicos, contra o decreto que proibiu temporariamente as exportações de azeite comestível, a fim de garantir o abastecimento interno.

Costas lidera o movimento pela autonomia e desafiou o governo, o Congresso e a Corte Nacional Eleitoral, agendando para 4 de maio um referendo sobre o estatuto de autonomia de Santa Cruz. Outros três distritos pretendem fazer referendos semelhantes nos meses seguintes.

O governo aceitou suspender um referendo oficial sobre a nova constituição agendado para a mesma data, mas chamou o outro referendo de ilegal e separatista, além de acusar a direita de bloquear mudanças como uma nova política agrária que proíbe latifúndios improdutivos.

A Igreja Católica aceitou, no mês passado, ser a 'facilitadora' do diálogo entre as duas partes, mas se manteve reservada sobre a sua administração.

(Reportagem de Carlos Alberto Quiroga)

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