A missão da Organização de Estados Americanos (OEA) fracassou na tentativa de diálogo com o governo interino de Honduras e deixa o país sem o compromisso de assinatura de um acordo que permita a volta do presidente deposto, Manuel Zelaya, à Presidência. A comissão lamenta que nesta ocasião não foi possível obter o apoio para o acordo de San José, disse o chanceler da Costa Rica, Bruno Stagno, ao ler um comunicado elaborado pela missão.

"A missão deve reconhecer que ainda não existe a disposição para a plena aceitação do acordo por parte do senhor (líder do governo interino Roberto) Micheletti e setores aliados", acrescentou.

Com o fracasso das negociações a agenda prevista pelo departamento de Estado dos EUA fica ainda mais difícil de ser cumprida.

Os Estados Unidos esperavam que o governo interino aceitasse um acordo para permitir o regresso do presidente deposto antes do dia 29, quando iniciará oficialmente a campanha eleitoral para as eleições presidenciais.

O comunicado divulgado pela OEA também reiterou a importância da assinatura do acordo "dado o eminente início" da campanha.

Desafio
A OEA fez um chamado a todos os setores da sociedade hondurenha a considerar o acordo de San José, pois na opinião da organização, o documento "contém os elementos necessários para o diálogo e a reconciliação, para a restauração da ordem constitucional e do estado de direito".

A missão, integrada pelos chanceleres da Argentina, Canadá, Costa Rica, Jamaica, México, Panamá e República Dominicana, liderada pelo secretario-geral da OEA, José Miguel Insulza, se reuniu com integrantes do governo interino, ministros do gabinete de Zelaya e com membros do Frente de Resistência Contra o Golpe.

Micheletti, por sua vez, durante o encontro com a missão da OEA, transmitido pela televisão estatal, reiterou que está disposto a renunciar à Presidência para permitir a ascensão interina de outro presidente. Ele insistiu, no entanto, que não permitirá que a comunidade internacional "imponha" o retorno de Zelaya.

O líder do governo interino desafiou a comunidade internacional, ao afirmar que convocará eleições para o dia 29 de novembro, independente da legitimação dos demais países.

"Haverá eleições, reconheçam ou não os países do mundo", afirmou.

O acordo de San José, rejeitado por Micheletti e seus aliados, prevê, entre outros pontos, o retorno de Zelaya à Presidência, a antecipação das eleições gerais agendadas para novembro e o abandono da proposta de consulta popular para convocar uma Assembleia Constituinte - medida que foi utilizada como argumento pela oposição para depor a Zelaya.

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