Washington, 5 ago (EFE).- A Organização dos Estados Americanos (OEA) enviará a Honduras uma missão de ministros de Relações Exteriores, ainda não formada, o mais rápido possível para tentar persuadir o novo Governo do país a aceitar o Acordo de San José.

O secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, explicou hoje depois da sessão privada do Conselho Permanente do organismo que "existe consenso" sobre o envio da missão.

"O meu problema agora é formá-la, buscar os nomes, conversar com os chanceleres, buscar um equilíbrio nas datas. Vamos anunciá-la, espero, até sexta-feira", disse Insulza em declarações à imprensa.

No entanto, segundo o titular do organismo regional, "o acordo para fazê-lo existe".

Insulza falou que a missão será composta por cinco ou seis ministros de diferentes regiões para buscar o equilíbrio adequado entre os países-membros da OEA.

O secretário-geral disse que espera poder enviar a missão ministerial a Honduras antes de 17 de agosto, quando a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) começa uma visita de cinco dias ao país.

Insulza descartou que a missão possa se reunir com o Governo do novo presidente hondurenho, Roberto Micheletti, em outro país que não seja Honduras.

"Vão a Honduras na medida em que pudermos fazer contato com o Governo de fato e em que existam as condições para que o grupo de chanceleres vá", explicou o secretário-geral.

Insulza ressaltou que seu papel na missão dependerá do número de ministros que a integrem e que, por isso, só definirá suas funções quando ela estiver formada. No entanto, disse que, "naturalmente, a Secretaria-Geral" da OEA tem que estar presente nessa delegação.

O secretário-geral revelou que já conversou com vários chanceleres e disse que "alguns podem ir, outros não", por questões de agenda, mas não deu mais detalhes.

Insulza destacou que a missão "é parte do processo" e que não implica pôr em segundo plano o presidente costarriquenho, Óscar Arias, que vai continuar tendo um papel "fundamental" na busca de uma solução para a crise em Honduras.

"Não é uma mudança, é uma continuação" do processo de mediação iniciado por Arias e das negociações da OEA, disse Insulza, ao ressaltar que a missão vai tentar que o Acordo de San José, promovido pelo presidente da Costa Rica, seja firmado.

O principal responsável da OEA afirmou que os ânimos do organismo e da comunidade internacional não estão baixos diante da falta de uma solução para a crise e de uma resposta definitiva de Micheletti e do presidente deposto Manuel Zelaya.

"Vamos continuar trabalhando o tempo que for necessário para conseguir o restabelecimento da democracia" em Honduras, concluiu.

O envio da missão a Honduras não representa o reconhecimento do Governo de Micheletti por parte da OEA ou dos chanceleres, dado que a resolução de 4 de julho deste ano, que suspendeu a participação de Honduras no organismo, deixa claro que "nenhuma gestão implicará o reconhecimento do regime surgido desta ruptura da ordem constitucional". EFE cae/bba

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