OEA envia ultimato de 72 horas a Honduras após golpe

Por Patrick Markey TEGUCIGALPA (Reuters) - A pressão para Honduras restabelecer o presidente deposto Manuel Zelaya aumentou nesta quarta-feira, após a Organização dos Estados Americanos (OEA) determinar um prazo de 72 horas para o fim da crise, iniciada com um golpe militar.

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O golpe, iniciado quando tropas militares capturaram Zelaya e o levaram para a Costa Rica nas primeiras horas do domingo, provocou o pior tumulto político na América Central desde a invasão do Panamá pelos Estados Unidos em 1989.

A deposição de Zelaya -- um magnata do setor madeireiro expulso do país por suas tentativas de estabelecer a reeleição presidencial para além de um mandato único de quatro anos -- foi amplamente condenada por líderes desde o presidente dos EUA, Barack Obama, até aliados esquerdistas de Zelaya na América Latina.

Zelaya prometeu voltar, acompanhado de líderes estrangeiros, para concluir seu mandato que termina em 2010, num desafio à ameaça de integrantes do governo interino do país de que será preso caso retorne.

A resolução da OEA, formalmente acertada nas primeiras horas da quarta-feira em uma sessão de emergência na sede da entidade em Washington, condena o golpe e exige "o retorno imediato, em segurança e incondicional do presidente às suas funções constitucionais."

O texto acrescenta que "nenhum governo que surja dessa interrupção inconstitucional será reconhecido."

Zelaya, que estava na sessão, denunciou o golpe como uma "medida cruel, sangrenta e retrógrada" e ofereceu seus "agradecimentos de coração" aos 34 membros da OEA.

"É a primeira vez que essa organização falou de maneira tão veemente, com tanta convicção, condenando um ato agressivo, onde a força prevaleceu sobre a razão e onde a paz de uma sociedade foi violada", disse.

Após prometer voltar a Honduras na quinta-feira, Zelaya disse a jornalistas que, por conta do prazo de 72 horas estabelecido pela resolução, ele espera agora voltar ao país antes do fim de semana.

"Basicamente, a decisão é de condenar muito claramente o golpe militar", disse o secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, a jornalistas durante a reunião da entidade para discutir a crise em Honduras.

A resolução determina que Insulza tome "iniciativas diplomáticas com o objetivo de restaurar a democracia, o estado de direito e a restauração" de Zelaya.

"Caso isso não tenha sucesso em 72 horas, a Assembleia Geral Especial deve imediatamente... suspender Honduras (da entidade)", afirma o texto.

Zelaya disse na terça-feira que os presidentes de Argentina e Equador, além dos chefes da Assembleia Geral da ONU e da OEA, o acompanharão em sua volta a Honduras.

Também na terça-feira, a Assembleia Geral da ONU pediu a todos seus 192 países-membros que reconheçam apenas o governo de Zelaya e pediu em resolução a "imediata e incondicional restauração do governo legítimo e constitucional."

(Reportagem adicional de Susan Cornwell em Washington)

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