OEA diz que colombianos e equatorianos querem melhorias na fronteira

Fernando Muñoz. Pasto (Colômbia), 9 fev (EFE).- Os habitantes da fronteira entre Colômbia e Equador cobram das autoridades um aumento da cooperação em matéria de segurança e que o fluxo de pessoas e do comércio seja facilitado, informaram hoje fontes da Organização dos Estados Americanos (OEA), que prepara um relatório sobre as relações entre os dois países.

EFE |

O diretor do departamento de missões especiais da OEA, Víctor Rico Frontaura, disse hoje, ao abrir um fórum sobre as relações bilaterais na cidade de Pasto (sul), que essa é uma das conclusões de sua recente visita à região fronteiriça da Colômbia.

"Há uma reivindicação para que o fluxo de pessoas e de mercadorias seja facilitado na fronteira para gerar maiores oportunidades de desenvolvimento e de crescimento entre os cidadãos que vivem na região, declarou o diplomata, que nos próximos dias visitará o lado equatoriano.

Rico também disse que os povoados fronteiriços querem um aumento da cooperação em matéria "de segurança, defesa e luta contra o narcotráfico e os grupos armados ilegais".

O tema da cooperação será um dos principais pontos do relatório que será apresentado ao secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, que de última hora suspendeu sua presença no fórum para poder acompanhar a ratificação da nova Constituição boliviana e comparecer a uma reunião com o presidente de República Dominicana, Leonel Fernández.

Do fórum "Colômbia-Equador: Construindo pontes, política de paz e desenvolvimento para a fronteira", que termina amanhã, participam o chanceler colombiano, Jaime Bermúdez, prefeitos de municípios vizinhos ao Equador e governadores de províncias equatorianas.

Ao falar de suas visitas à região fronteiriça da Colômbia, Rico acrescentou: "O que devemos fazer agora é encontrar fórmulas que sejam satisfatórias para os dois países, de modo que o clima de confiança possa ser restabelecido".

O diplomata também classificou como "muito positivas" as decisões do Governo da Colômbia e do Equador de aumentar a presença militar na fronteira. Além disso, assegurou que as mesmas são atos que geram confiança nos dois países.

"São decisões muito positivas que ajudam a reforçar a segurança na fronteira entre os dois países. Devemos enfatizar a importância de essa cartilha de segurança ser plenamente aplicada e de o contato entre as autoridades militares na fronteira entre ambos os países acontecer quando for necessário, no marco e no cumprimento dessa cartilha de segurança", disse Rico à Agência Efe.

Rico ressaltou ainda que nas "últimas semanas diminuiu o clima de rusgas nas declarações públicas entre os dois países" e os funcionários começaram a falar sobre a necessidade de as relações serem normalizadas.

Nesse sentido, o chanceler Bermúdez disse que a maior contribuição que se pode fazer para a recuperação das relações entre os dois países, comprometidas desde 3 de março do ano passado, "é a cautela e a discrição nas declarações públicas".

"Essa é a primeira contribuição, porque a confiança começa no tratamento respeitoso, no reconhecimento das diferenças, de que há pontos eventualmente irreconciliáveis, mas de que há respeito pelo outro e pelas instituições. Nunca com ofensas pessoais", afirnou.

O ministro colombiano ressaltou que, por enquanto, não é conveniente "fixar condições públicas" para avançar no restabelecimento das relações bilaterais, rompidas depois do bombardeio militar colombiano contra um acampamento de guerrilheiros em território equatoriano.

"É necessário começar a pensar nos cenários de encontro para ver como, a partir daí, com cenários adequados, vamos estabelecer um mecanismo, um procedimento. E aí, sim, começamos a falar de quais são as preocupações de um lado e do outro (...)", acrescentou.

Bermúdez disse que no próximo fim de semana acontecerá um show na cidade fronteiriça de Ipiales (sudoeste) que ele espera que seja binacional e sirva para reforçar a aproximação entre os dois países.

Além disso, se declarou preocupado com as restrições comerciais e de fluxo migratório impostas pelo Equador, e disse que "seria imperdoável historicamente que entre Colômbia e Equador se gerasse uma atitude hostil entre as pessoas". EFE fer/sc

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